4 de agosto de 2011

IRON MAIDEN - FEAR OF THE DARK (1992)



Fear Of The Dark é o nono álbum de estúdio da banda inglesa de Heavy Metal Iron Maiden. Ele foi lançado em 11 de maio de 1992 e a produção ficou sob a responsabilidade do lendário produtor Martin Birch. As gravações foram realizadas no Barnyard Studios, em Essex, na Inglaterra.

Fear Of The Dark foi o último trabalho de Martin Birch com o Iron Maiden.

O fim dos anos oitenta e começo dos anos noventa não foram tempos muito fáceis para o Iron Maiden. Embora a banda já tivesse alcançado o status de grande banda de Rock e ícone do Heavy Metal, havia grande agitação em seus bastidores.

Em 1989, após a tour que divulgava o álbum Seventh Son Of A Seventh Son, de 1988, o guitarrista Adrian Smith lançou um álbum solo com sua banda ASAP, com o nome de Silver And Gold. Ao mesmo tempo, o vocalista Bruce Dickinson começava a trabalhar em seu disco solo, junto ao guitarrista Janick Gers, que tocou na banda da carreira solo de Ian Gillan, do Deep Purple.

Em 1990 o Iron Maiden se reúne para compor e gravar um novo álbum, o qual seria o seu oitavo de estúdio. Por divergências no direcionamento musical da banda, especialmente com o líder e baixista Steve Harris, Adrian Smith deixa a banda.

Bruce Dickinson, então, traz o guitarrista Janick Gers para o Iron Maiden, a fim de que realizassem as gravações do álbum. Ainda em 1990 é lançado No Prayer For The Dying, o oitavo álbum de estúdio da banda. Gers, entretanto, não contribuiu com nenhuma composição para o álbum.

‘No Prayer’ não foi um sucesso como os álbuns anteriores da banda, apesar de conter o único single do Maiden a atingir o topo das paradas britânicas, a ótima “Bring Your Daughter... To The Slaughter”. O disco possuía uma sonoridade levemente mais simples e a crítica não o recebeu de maneira tão entusiasmada como aos grandes sucessos da década de oitenta.

Paralelamente a isso, o vocalista Bruce Dickinson lançou, também em 1990, o álbum solo Tattooed Millionaire, excursionando durante o ano de 1991 para divulgá-lo. O trabalho é bem diferente daquilo que Dickinson fazia no Maiden e a ideia para compô-lo surgiu quando pediram a ele que fizesse uma música para ser trilha sonora do filme A Nightmare on Elm Street 5: The Dream Child, da série de terror do personagem Freddy Krueger. A música foi “Bring Your Daughter... To The Slaughter”, que acabou no álbum No Prayer For The Dying, do Maiden, mas deixou a semente plantada em Dickinson para escrever um disco solo.

Ainda em 1991, a banda se reúne para gravar seu novo álbum, que se tornaria Fear Of The Dark. Algumas mudanças pelas quais o Iron Maiden passava ficariam mais claras após o lançamento do álbum, em maio de 1992.

A primeira delas é a contribuição de Janick Gers como compositor, ressaltando o início de sua influência na sonoridade da banda. Gers não esconde sua veia Hard Rock, sendo mais direto e simples ao compor.

Outra mudança é o fato de não haver em nenhuma das doze faixas do álbum qualquer composição em parceria entre Bruce Dickinson e Steve Harris depois de muito tempo e vários clássicos que contam com contribuições de ambos.

Mas a mais facilmente notada é a capa do álbum. Pela primeira vez o artista que a desenhou não foi o famoso Derek Riggs. O trabalho foi responsabilidade do artista Melvyn Grant e apresenta um Eddie um pouco diferente, fundido a uma árvore sem folhas.

Uma verdadeira “porrada” abre o álbum, que é “Be Quick Or Be Dead”, uma faixa bem pesada, mas bem mais direta que o estilo tradicional do Iron Maiden. Possui um ótimo riff, como dito, bem pesado, que se estende por toda faixa. Mesmo um pouco diferente, possui o genuíno dna Iron Maiden. Os solos são executados com perfeição e são ótimos.

“Be Quick Or Be Dead” é a primeira contribuição de Gers no Maiden, em parceria com o vocalista Bruce Dickinson. A letra contém críticas a escândalos políticos da época na Europa.

Lançado como single, foi um grande sucesso no Reino Unido, alcançando a segunda posição. No lado B do single havia duas canções oficiais uma do próprio Maiden, “Nodding Donkey Blues” e um cover da banda Montrose, “Space Station No. 5”. Há também uma faixa ‘oculta’ em que Dickinson faz uma brincadeira com o Manager do grupo, Rod Smallwood.

“From Here To Eternity” é a segunda faixa do álbum e é outra canção bem conhecida da banda. É uma ótima música, com um grande riff e ótimo ritmo. O refrão é marcante, bem característico do Iron Maiden.

A canção faz parte da conhecida saga sobre Charlotte, a prostituta. Esta faixa traz a história de Charlotte fazendo uma corrida de motocicleta com o demônio.

Lançada como single, alcançou a 21ª posição na parada britânica. No lado B do single havia uma versão que a banda fez para “Roll Over Beethoven”, de Chuck Berry, chamada “Roll Ove Vic Vella”. Vic é um amigo e roadie da banda.

“Afraid To Shoot Strangers” é outro ponto alto do álbum. A canção é das primeiras a conter um estilo que seria dominante no Iron Maiden daquele ponto em diante: faixas com uma longa introdução em estilo calmo e tranquilo, no baixo ou em alguns casos no violão/guitarra. Do meio para o final da faixa, a intensidade e o peso aumentam. Os solos são destaques e a interpretação de Dickinson dispensa quaisquer comentários.

A faixa é uma composição do baixista Steve Harris e é uma clara crítica à guerra do Golfo, que ocorreu no início da década de 1990.

“Fear Is The Key” é uma boa faixa do álbum, é mais cadenciada e tem uma dose de hard rock. O destaque é a atuação de Bruce Dickinson, especialmente no refrão. É mais uma parceria de Dickinson e Gers. “Childhood’s End” traz uma boa introdução e bons solos.

“Wasting Love” é a primeira balada típica feita pelo Iron Maiden em sua discografia. A música foge bastante da sonoridade clássica da banda, entretanto, isto não impede de que a mesma seja uma boa canção.

“Wasting Love” foi lançada como single apenas na Holanda e era acompanhada por faixas gravadas ao vivo durante a turnê anterior. É também o terceiro single lançado sem sua arte de capa ter o mascote Eddie. As anteriores foram “Running Free” e “From Here To Eternity”.

Os destaques da música ficam para a atuação do vocalista Bruce Dickinson, com muita emoção e técnica e para o solo de Janick Gers, muito inspirado. Em álbuns posteriores o Iron Maiden voltou a fazer baladas, como, por exemplo, “Out Of The Shadows”, do álbum A Matter Of Life And Death, de 2006.

“The Fugitive” começa com um riff forte seguido de um trabalho interessante de Nicko McBrain na bateria. O refrão é muito bom e a faixa traz um bom trabalho de Harris no baixo. “Chains Of Misery” também possui um bom riff, mas o refrão quebra um pouco o ritmo da música. O solo de Dave Murray é ótimo. Já “The Apparition” tem um ritmo mais cadenciado, mas é uma canção sem muito brilho.

“Judas Be My Guide” tem um solo inicial curto, mas belo, por parte de Murray. O refrão é inspirado e bem cantado por Dickinson. “Weekend Warrior” também é uma canção com a intro mais leve e depois conta com um riff com pegada hard rock. Mas o melhor da faixa são os solos por parte de Gers e Murray.

Fecha o álbum um dos maiores clássicos do Heavy Metal. “Fear Of The Dark” é um hino do Iron Maiden e se tornou presença constante e obrigatória nos shows da banda. Na turnê em que a banda tocava somente clássicos dos anos oitenta, a Somewhere Back In Time World Tour, “Fear Of The Dark” era a única música presente que foi composta pós a fase mais clássica.

Notoriamente, a versão ‘ao vivo’ de “Fear Of The Dark” é mais conhecida que a faixa de estúdio e, também, consideravelmente mais emocionante. Pesa para isso o fato de o público dos shows do Maiden cantar fervorosamente durante as partes apenas instrumentais da música, como a introdução da faixa, criando uma atmosfera impossível de se sentir na faixa constante no álbum.

A versão de “Fear Of The Dark” que ficou consagrada é a que está presente no disco ao vivo A Real Live One e que foi gravada em Helsinque, na Finlândia, em 5 de junho de 1992. A mesma também esteve presente na coletânea Best Of The Beast. A versão constante no Rock In Rio também é excelente.

Lançada como single, a versão ao vivo de 1992 atingiu a 5ª posição da parada de singles britânica.

O álbum Fear Of The Dark ficou bem posicionado nas paradas de sucesso de álbuns, ficando na 12ª posição nos Estados Unidos e atingindo a primeira posição na parada britânica.

Já a crítica especializada divergiu, havendo críticas positivas no sentindo de que a banda havia recobrado a inspiração dos anos dourados, mas também existindo críticas no sentido de ser um álbum melhor que o anterior, No Prayer For The Dying, mas apresentando uma banda cansada e sem inspiração. Entretanto, entre os fãs, o álbum é um grande sucesso.

A banda saiu em turnê para promover o álbum, turnê esta que teve uma ‘perna’ na América Latina, apresentações no Monsters Of Rock Festival, em sete países Europeus (como banda principal) e uma nova apresentação em Donnington Park, que gerou o álbum ao vivo Live At Donnington.

Em 1993, Bruce Dickinson anunciou que deixaria o Iron Maiden para se dedicar mais profundamente a sua carreira solo. Bruce aceitou participar de uma pequena turnê de despedida e na gravação de mais dois álbuns ao vivo, A Real Live One (que continha músicas de 1986 a 1992) e A Real Dead One (com sucessos de 1980 a 1984). Em 28 de agosto de 1993 Bruce fez seu último show com a banda, que foi filmado pela BBC e posteriormente foi lançado com o título Raising Hell.

Após isso, o Iron Maiden passou por uma fase pouco inspirada até Bruce Dickinson e Adrian Smith voltarem à banda em 1999.

Formação:
Bruce Dickinson – Vocal
Dave Murray – Guitarra
Janick Gers – Guitarra
Steve Harris – Baixo, Backing Vocals
Nicko McBrain – Bateria

Faixas:
01. Be Quick or Be Dead (Dickinson/Gers) - 3:24
02. From Here to Eternity (Harris) - 3:38
03. Afraid to Shoot Strangers (Harris) - 6:56
04. Fear Is the Key (Dickinson/Gers) - 5:35
05. Childhood's End (Harris) - 4:40
06. Wasting Love (Dickinson/Gers) - 5:50
07. The Fugitive (Harris) - 4:54
08. Chains of Misery (Dickinson/Murray) - 3:37
09. The Apparition (Harris/Gers) - 3:54
10. Judas Be My Guide (Dickinson/Murray) - 3:08
11. Weekend Warrior (Harris/Gers) - 5:39
12. Fear of the Dark (Harris) - 7:18

Letras:
Para o conteúdo das letras, recomendamos o acesso a: http://letras.terra.com.br/iron-maiden/

Opinião do Blog:
Fear Of The Dark já seria um clássico se apenas contivesse a faixa homônima ao álbum, um grande clássico do estilo Heavy Metal e uma das faixas mais famosas e reconhecidas do Iron Maiden.

Não é apenas isto, o álbum tem outras grandes músicas, como “Be Quick Or Be Dead”, “From Here To Eternity”, a interessante “Afraid To Shoot Strangers” e mesmo a ótima balada “Wasting Love”.

As críticas que Fear Of The Dark sofre por alguns se deve a uma leve mudança na sonoridade da banda, com mais flertes com um som mais direto, próximo ao Hard Rock. Embora não seja nada contundente, é diferente do passado brilhante da banda. É muito pesada, ao mesmo tempo, a comparação com os clássicos dos anos oitenta que formaram quem o Iron Maiden é.

Talvez, Fear Of The Dark seja um álbum muito grande e deu espaço para algumas faixas de menor inspiração, como “The Apparition” ou “Weekend Warrior”. E, certamente, está um degrau abaixo dos fantásticos álbuns lançados durante a década anterior.

Mesmo assim, como o patamar do Iron Maiden é altíssimo, o álbum é um clássico e permanece bem recomendado por este blog, especialmente por ter dado ao mundo do Heavy Metal um de seus hinos!

Vídeos Recomendados:

Fear Of The Dark, ao vivo, no Rock In Rio, 2001


Be Quick Or Be Dead


From Here To Eternity


Afraid To Shoot Strangers, ao vivo em Donnington, 1992



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8 comentários:

  1. Nem preciso comentar nada...simplesmente amooo Iron Maiden !

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  2. Só por conter a faixa-título e a linda "Wasting Love", este álbum Fear of the Dark já vale alguma coisa. Aliás, a segunda música que eu citei - "Wasting Love" - devia ter entrado no Flight 666 (show de 2009 que mostra a banda tocando seus grandes sucessos em várias partes do mundo), assim como várias outras músicas boas dos álbuns anteriores.

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    1. Obrigado pelo comentário, Igor. "Wasting Love" é legal mesmo, mas a maioria dos fãs mais radicais da banda não gostam nenhum pouco dela.

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    2. Então acho que esses fãs mais radicais do IM deviam parar com todo esse "mimimi" por causa de "Wasting Love" e passar a aceitar esta música como ela é. Uma das grandes baladas do rock, tal como "Beyond the Realms of Death" (Judas Priest), "Wind of Change" (Scorpions), "Never Say Goodbye" (Bon Jovi), "Winter Dreams" (Accept), "Is This Love" (Whitesnake), "Forever" (Kiss), etc.

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    3. Calma, meu caro. Cada um com suas preferências.

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    4. Foi exatamente o que eu disse no post que você fez de The Number of the Beast (1982), quando você me respondeu que este é o seu disco preferido do IM, já que o meu preferido e da maioria dos fãs da banda se chama Powerslave (1984).

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