27 de agosto de 2011

BLACK SABBATH - PARANOID (1970)



Paranoid é o segundo álbum de estúdio da banda inglesa de Heavy Metal chamada Black Sabbath. Seu lançamento oficial aconteceu no dia 18 de setembro de 1970, sendo sua produção responsabilidade de Rodger Bain. As gravações ocorreram entre os dias 16 e 21 de junho de 1970, no Regent Sound Studios e no Island Studios, ambos em Londres, no Reino Unido.

O Black Sabbath havia lançado seu primeiro álbum, homônimo à banda, em 13 de fevereiro de 1970. Comercialmente, este lançamento foi um grande sucesso, por exemplo, atingiu a 8ª posição da parada britânica e a 23ª posição da parada norte-americana, na qual permaneceria por mais de um ano após seu lançamento.

Se os fãs receberam a novidade – uma banda musicalmente distinta do que existia até então – muito bem, os críticos especializados em música daquela época certamente não entenderam a nova proposta, tecendo revisões bastante pesadas sobre o álbum. Um exemplo disso foi o crítico musical Lester Bangs, da revista Rolling Stone, que fez um review ‘detonando’ o álbum.

Após curta turnê no Reino Unido e pouco se importando com as críticas, o Black Sabbath voltaria a se reunir para gravar o novo álbum de estúdio apenas quatro meses após o lançamento do primeiro trabalho.

O sucesso comercial que estava sendo obtido com o álbum Black Sabbath motivaram a banda e a gravadora para fazerem um novo lançamento e aproveitarem a boa recepção por parte do público, especialmente nos Estados Unidos.

Mais uma vez o álbum foi gravado muito rapidamente, em menos de seis dias. O produtor escolhido foi Rodger Bain, que já havia trabalhado com a banda na gravação do álbum Black Sabbath.

Originalmente, a banda desejava que o segundo álbum se chamasse War Pigs. Entretanto, como naquele momento o mundo se assustava com a guerra do Vietnã, a gravadora achou que o nome poderia ter uma repercussão bastante negativa.

A banda, entretanto, acreditava que a canção “War Pigs” era forte suficiente para ‘encabeçar’ o álbum e que também possuía, musicalmente, apelo comercial para ser o principal single para alavancar e suportar as vendas de seu segundo álbum.

O nome do álbum começaria a mudar quando a banda estava gravando-o. Ao pensar estar com o trabalho terminado, descobriu-se que com as canções prontas, não se conseguiria ‘encher’ um álbum de vinil para seu lançamento.

Dessa maneira, o Black Sabbath precisaria de mais uma música para seu segundo trabalho.

O baterista Bill Ward se recorda bem do momento, como declarou anos depois. Segundo ele, a banda não possuía canções suficientes para o álbum e Tony Iommi começou a tocar o riff de uma nova música. Do início até o fim, toda a gravação deve ter levado de vinte a vinte cinco minutos. Nascia, assim, “Paranoid”, que também se tornou o nome do segundo álbum.

Com as faixas prontas, a gravadora decidiu lançar o single “Paranoid” antes mesmo do próprio álbum. O single foi um sucesso, atingiu a 4ª posição da parada britânica deste tipo de lançamento e preparou o terreno para o lançamento do álbum.

A arte da capa é a representação visual do que seria um “war pig”, um ser barbudo, estranho, que carrega uma espada e um escudo, pulando de trás de uma árvore.

Neste segundo lançamento, a banda continua apostando na sonoridade que definiria o estilo Heavy Metal. Não somente no lado instrumental, como também na parte lírica das composições.

Um dos maiores clássicos da banda abre o álbum Paranoid. Trata-se de “War Pigs”, fantástica canção. Já no início da música, o Black Sabbath mostraria que continuava seguindo o caminho demonstrado no primeiro álbum, ou seja, músicas de aspecto aterrorizante. O riff da música é simplesmente magnífico.

Originalmente, “War Pigs” seria chamada de ‘Walpurgis’ com temática relativa à bruxaria, mas durante as gravações do álbum a banda decidiria alterar a temática da canção para uma mensagem anti-guerra.

O principal letrista da banda, o baixista Geezer Butler, disse que a mensagem da música é totalmente contrária a guerra do Vietnã, também, à maneira como os políticos e poderosos provocam e promovem guerras em benefício próprio, mas enviando os miseráveis para lutarem e morrerem nos conflitos.

A parte central da canção, quando a mesma muda seu ritmo, recebe o nome de “Luke’s Wall” (sendo creditada como “War Pigs/Luke’s Wall” em alguns lançamentos), sendo esta uma homenagem aos roadies da banda Geoff ‘Luke’ Lucas e Spock Wall.

“War Pigs” tornou-se um verdadeiro hino da banda e do Heavy Metal. Aparece frequentemente bem posicionada em eleições de melhores músicas de Heavy Metal de todos os tempos. Segundo os leitores da revista ‘Guitar World’, a canção possui o 56º melhor solo de todos os tempos.

Elf, Faith No More, Dream Theater são apenas alguns exemplos de bandas que fizeram versões para a canção. Também é encontrada em diversos jogos de videogames.

Talvez a canção mais conhecida da banda, “Paranoid”, homônima ao álbum, é a segunda faixa do trabalho. Acima já foi contada a clássica história de como este clássico foi composto e gravado, em cerca de meia hora.

“Paranoid” consta em praticamente todas as listas de melhores músicas de todos os tempos em diversas mídias, sendo revistas, sites e canais de televisão especializados em música. Tanto o riff clássico quanto o solo são muito conhecidos.

Mesmo depois de deixar a banda, o vocalista Ozzy Osbourne continuou a executar a música em suas performances ao vivo, jamais deixando de tocá-la. Diversos lançamentos do vocalista contam com gravações de “Paranoid”.

Nas paradas de singles, ficou na 4ª posição na parada respectiva do Reino Unido e na 61ª posição nos Estados Unidos.

Existem muitas versões da canção por diversas bandas. Só como exemplo, bandas como Megadeth, Avenged Sevenfold, Type O Negative, Green Day, etc. Na festa de 25º aniversário do Rock And Roll Hall Of Fame, em 2009, o Metallica executou a canção ao vivo, com Ozzy Osbourne nos vocais.

“Planet Caravan” é uma canção bastante diferente do estilo que o Black Sabbath adotava na época. É praticamente acústica, na qual o destaque vai para a percussão e os vocais de Ozzy, que foram gravados com efeitos, dando um aspecto bastante psicodélico à faixa.

O Pantera gravou uma versão de “Planet Caravan” que é encontrada no álbum Far Beyond Driven, de 1994. Foi lançada como single pelo Pantera, obtendo ótimas posições nas paradas de singles do Reino Unido e Estados Unidos.

Outro grande clássico é a quarta faixa do álbum, “Iron Man”. A música possui um dos mais conhecidos – e fantásticos – riffs de todos os tempos. Incríveis, também são a interpretação repleta de intensidade e sentimento por parte de Ozzy e o trabalho de baixo e bateria na música, realizados por Butler e Ward, respectivamente.

O título original da música seria ‘Iron Bloke’, mas foi alterado após Ozzy ouvir o riff inicial da música pela primeira vez, dizendo que parecia os passos de um gigantesco homem de ferro. Assim a música passou a se chamar “Iron Man”.

Butler explicou que as letras da canção em nada foram inspiradas pelo popular personagem de história em quadrinhos da Marvel, o Homem de Ferro. A música fala de um viajante no tempo que vai ao futuro e presencia o apocalipse. Ao retornar, ele se transforma no homem de ferro ao passar por um campo magnético. Mudo, fracassa nas tentativas de avisar a humanidade sobre o terrível futuro iminente e acaba sendo ridicularizado. Por vingança, o homem de ferro acaba promovendo o apocalipse que havia presenciado em sua viagem.

Várias bandas já fizeram versões da canção, como The Cardigans, NOFX e mesmo o Metallica, quando o Black Sabbath entrou para o hall da fama do rock em 2006. A música também pode ser ‘tocada’ em vários games.

Está em várias relações do tipo melhor canção de todos os tempos, sendo que o canal de televisão VH1 a elegeu melhor canção de heavy metal em 2006. Em 2000, uma versão ao vivo do clássico venceu o Grammy de Melhor Performance de Heavy Metal.

Alguns músicos ‘acusam’ “Iron Man” de ser uma das músicas que mais os influenciaram para serem músicos. Encontram-se declarações sobre a canção por gente como Dimebag Darrell Abbott (Pantera), Lars Ulrich (Metallica) e Slash (ex-Guns ‘N’ Roses).

Mais um clássico do Sabbath está neste álbum, “Eletric Funeral”. O riff é mais uma sensacional composição do guitarrista Tony Iommi, o mestre dos riffs, sendo o mesmo pesado, intenso e totalmente mórbido. Ozzy faz um trabalho impressionante na interpretação da canção, conseguindo transmitir a mensagem das letras, bastante pessimistas, de maneira brilhante.

A canção fala de uma guerra nuclear e suas consequências. Descreve de maneira bem pessimista e obscura uma terra esvaziada, contaminada pela radiação, com uma população sub-humana mutante vivendo em um lugar insuportável, sempre temendo mais uma tempestade radioativa.

Bandas como Pantera, Soufly e Iced Earth são algumas que já fizeram covers de “Eletric Funeral”.

A sexta faixa do álbum é “Hand Of Doom”. Ótima música que começa mais lentamente e rapidamente apresenta outro grande riff de Iommi. A canção apresenta excelentes trabalhos da bateria de Bill Ward e dos vocais de Ozzy Osbourne. A canção faz referência ao uso de drogas como heroína e seus efeitos. É uma ótima faixa.

A sétima música presente no álbum é “Rat Salad”. É uma curta canção instrumental e com destaque para um ótimo trabalho de bateria feito por Bill Ward.

Fecha o álbum outro clássico do Black Sabbath, “"Fairies Wear Boots", mais uma canção que se inicia com um sensacional riff de Tony Iommi, seguido de um pequeno, porém inspirado, solo de sua guitarra. O riff principal da faixa também é ótimo, mesmo sendo simples.

É a música de Paranoid com maior contribuição do vocalista Ozzy Osbourne em sua composição. Segundo Geezer Butler, ela retrata um encontro de membros da banda com Skinheads, e na canção, eles são pejorativamente chamados de fadas.

A parte introdutória da canção é conhecida como “Jack The Stripper” e em alguns lançamentos a música foi creditada como “Jack The Stripper/Fairies Wear Boots”. Também possui muitas versões cover feitas por outras bandas, por exemplo Flotsam & Jetsam e a banda composta somente por garotas, Phantom Blue.

Paranoid alcançou o topo da parada britânica de álbuns. Foi lançado apenas em janeiro de 1971 nos Estados Unidos, pois o primeiro álbum, Black Sabbath, ainda estava nas paradas de sucesso por lá. Paranoid alcançou a 12ª posição da parada norte-americana de álbuns, mesmo sem apoio das rádios, vendendo mais de quatro milhões de cópias somente naquele país no ano de 1971.

Se na época do lançamento os críticos ‘especializados’ continuaram criticando pesadamente tanto o álbum quanto a banda, o tempo provou que estavam equivocados. Os críticos modernos, em sua maioria, retratam Paranoid muitas vezes como o melhor e mais influente álbum de heavy metal de todos os tempos, definidor da sonoridade e de um estilo musical.

Com o sucesso do single “Paranoid”, a banda fez sua primeira turnê nos Estados Unidos em dezembro de 1970, aproveitando para lançar um segundo single, “Iron Man”.

Formação:
Ozzy Osbourne – Vocal
Tony Iommi –Guitarra
Geezer Butler – Baixo
Bill Ward – Bateria

Faixas:
01. War Pigs (Osbourne/Iommi/Butler/Ward) – 7:55
02. Paranoid (Osbourne/Iommi/Butler/Ward) – 2:47
03. Planet Caravan (Osbourne/Iommi/Butler/Ward) – 4:30
04. Iron Man (Osbourne/Iommi/Butler/Ward) – 5:58
05. Electric Funeral (Osbourne/Iommi/Butler/Ward) – 4:47
06. Hand of Doom (Osbourne/Iommi/Butler/Ward) – 7:07
07. Rat Salad (Osbourne/Iommi/Butler/Ward) – 2:29
08. Fairies Wear Boots (Osbourne/Iommi/Butler/Ward) – 6:13

Letras:
Para o conteúdo das letras, recomendamos o acesso a: http://letras.terra.com.br/black-sabbath/

Opinião do Blog:
Paranoid é tido por muitos como o melhor álbum de Heavy Metal de todos os tempos.

Concordando ou não com a opinião, fato é que se trata da banda que definiu os parâmetros iniciais do, na época, novo estilo. E Paranoid, seu segundo álbum, é um amadurecimento natural do primeiro trabalho, lançado apenas meses antes.

Em Paranoid, temos alguns dos maiores clássicos não apenas do Black Sabbath, mas do Heavy Metal. Maiores comentários são desnecessários para canções como “War Pigs”, “Iron Man”, “Paranoid” e “Eletric Funeral”, verdadeiros hinos do estilo.

Ozzy continua imprimindo uma interpretação perfeita para as canções, Butler e Ward compõem uma ótima seção rítmica, sem falar em Tony Iommi, o maior compositor de riffs da história do Heavy Metal e um dos maiores da música, independente de estilo ou vertente musical. Em Paranoid, praticamente todas as canções podem ser lembradas por seu s riffs, construídos de maneira impactante. Simplesmente genial!

Liricamente, o Black Sabbath continua apostando em fazer ‘músicas de terror’, mas agora de uma maneira diferente. Em Paranoid, a influência do ocultismo é menor e o grupo aposta em temas políticos e sociais da época, mas que permanecem atuais. A inovação é a visão pessimista da realidade e da condição humana como um todo, considerando o apocalipse como inevitável.

Assim, Paranoid é um álbum que influenciou um número inimaginável de bandas e músicos que surgiram após seu lançamento. É mais um álbum que é referência quando o assunto é Heavy Metal. Álbum extraordinário.

Vídeos Recomendados:

War Pigs, ao vivo


Paranoid


Iron Man


Eletric Funeral, ao vivo


Fairies Wear Boots, ao vivo


Contato: rockalbunsclassicos@hotmail.com

3 comentários:

  1. Não tem nem o que falar do álbum ou da banda... isso o Daniel já fez, e muito bem por sinal !
    Álbum maaais que ótimo !

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  2. Decadence!!!Horror, puro Horror!!! - Marcio Silva de Almeida/Joinville - SC

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