31 de agosto de 2011

GRAND FUNK RAILROAD - WE'RE AN AMERICAN BAND (1973)



*Post sugerido e dedicado ao grande amigo Igor Breda

We’re An American Band é o sétimo álbum de estúdio da banda norte-americana chamada Grand Funk Railroad. Seu lançamento oficial ocorreu no dia 15 de julho de 1973, com a produção sob responsabilidade de Todd Rundgren (o qual trabalhou com Badfinger e Meat Loaf, entre outros). Foi gravado entre 12 e 15 de junho de 1973, no Criteria Studios, em Miami, na Flórida, nos Estados Unidos.

O grupo, com o nome de Grand Funk Railroad, foi formado em 1969. O guitarrista, tecladista e vocalista Mark Farner e o baterista e vocalista Don Brewer eram parte de uma banda chamada Terry Knight and The Pack.  Eles se juntaram ao baixista Mel Schacher, que era de outra banda, chamada Question Mark & The Mysterians.

Terry Knight, do “The Pack”, era ex-companheiro de banda de Farner e Brewer, mas desta vez não se uniu a eles para ser um dos músicos e acabou se tornando o manager do conjunto. Knight havia tentado ser músico, além do The Pack, lançou-se em uma carreira como cantor romântico, nas quais não se saiu bem sucedido. Além de ter sido DJ de uma rádio, Knight possuía muitos contatos interessantes no meio musical.

O nome foi uma brincadeira com a ferrovia Grand Trunk Western Railroad, que atravessava a cidade natal da banda, Flint, no Michigan.

Em 1969, a banda participa do Atlanta Pop Festival, sendo muita bem recebida pelo público do festival, sendo convidada a fazer mais participações nos dois dias seguintes. Estas participações renderam ao grupo um contrato com a gravadora Capitol Records.

Ainda em 1969, mais precisamente em agosto daquele ano, a banda lança seu primeiro álbum de estúdio, On Time, que possuía uma característica interessante, pois na gravação, o instrumento mais audível era o baixo, atitude pouco usual na época. Embora o real motivo seja desconhecido, muitos dão crédito para esta gravação não convencional o fato do baixista Mel Schacher ser o músico mais talentoso do grupo.

Em dezembro de 1969, a banda lança seu segundo álbum de estúdio, Grand Funk (também conhecido como “The Red Album”). Sua produção, desta vez, usou o método convencional, concentrando mais o áudio na guitarra de Mark Farner. No trabalho consta um cover de “Inside Looking Out”, do The Animals.

Em julho de 1970 a banda lança seu terceiro álbum de estúdio, Closer To Home. No álbum está o clássico “I'm Your Captain (Closer to Home)”, que foi sucesso na parada de singles dos Estados Unidos. Produzido por Terry Knight, o álbum alavancou a venda dos álbuns anteriores, com todos os 3 vendendo acima de 1 milhão de cópias em 1970. Uma intensa campanha de marketing foi realizada para promover o trabalho, com a banda investindo muito dinheiro nesta empreitada.

Em novembro de 1970, a banda aproveita o sucesso comercial dos álbuns de estúdio e lança um álbum ao vivo, Live Album, um grande sucesso junto ao público, atingindo a 5ª posição da parada norte-americana de álbuns.

Em 1971, a banda lançou mais dois álbuns de estúdio. Além disso, o grupo consegue quebrar um recorde que pertencia aos Beatles: conseguiu esgotar os ingressos para uma apresentação no Shea Stadium, em Nova Iorque (antiga casa do time de baseball New York Mets), em menos de 72 horas, comprovando o grande sucesso que o Grand Funk se tornou na época.

Survival foi o quarto álbum de estúdio, lançado em abril de 1971, com produção de Terry Knight. Em novembro de 1971 sai o quinto álbum de estúdio, E Plubirus Funk, que é outro sucesso e o último com a produção de Terry Knight. Na contracapa do disco, há uma comemoração pelo fato acima citado no Shea Stadium.

Todos estes seis primeiros álbuns do Grand Funk Railroad acima mencionados, acabaram se tornando grandes sucessos comerciais e de público, fato claramente demonstrado pela vendagem dos álbuns e, como bom exemplo, o esgotamento quase instantâneo dos ingressos no show em Nova Iorque. Entretanto, os críticos musicais teciam pesadas críticas ao grupo em suas resenhas.

Ainda no final de 1971, a banda passa a ficar insatisfeita com a forma como Terry Knight estava os dirigindo, especialmente na questão financeira. O grupo decide demitir Knight, dando início a uma prolongada batalha judicial, fazendo com que a banda abandonasse o nome Railroad, ficando apenas como Grand Funk.

Em 1972, a banda contrata o tecladista Craig Frost como membro permanente do conjunto. Frost já era conhecido de Farner e Brewer desde os tempos do ‘The Pack’ e também gravou e excursionou com o Grand Funk Railroad como músico adicional. Mesmo assim, ele não era a primeira escolha do grupo, que havia tentado a contratação de Peter Frampton, mas este estava envolvido com a produção de um disco solo.

Com a nova formação, a banda lança seu sexto álbum de estúdio, Phoenix, em setembro de 1972. Frost trouxe novo estilo para a sonoridade da banda, contribuindo com influências de rhythm & blues, além de um estilo mais pop.

Para o novo álbum, a banda estava tentando refinar mais seu som, assim sendo, asseguraram um músico veterano e experiente para trabalhar como produtor. Este era Todd Rundgren, que contribuiria para o sétimo álbum de estúdio do Grand Funk Railroad, We’re An American Band.

A capa já traria uma grande novidade: o nome da banda fora ‘encurtado’ para apenas Grand Funk (devido à batalha judicial com Knight), sendo que o nome Railroad não aparece em nenhum lugar do álbum.

Havia também quatro adesivos, dois vermelhos e dois azuis, incluídos com o disco e que apresentavam o logotipo da banda. Outra curiosidade era a instrução acima do número do lado do álbum recomendando ao ouvinte que apreciasse o trabalho no volume máximo.

Um dos grandes clássicos da banda abre o álbum, a faixa homônima ao disco, “We’re An American Band”. A música conta com um riff muito bom e possui um ritmo simples, mas bastante contagiante. Também está presente um ótimo solo. Brewer faz os vocais principais da canção, enquanto, normalmente, ficavam a cargo Farner.

Composta pelo baterista Don Brewer, suas letras retratam uma espécie de autobiografia da banda, detalhando a turnê mais recente e as performances energéticas do grupo ao vivo. Também retrata viagens e uma festinha com quatro groupies na cidade de Omaha, no Nebrasca. Na música, “sweet sweet Connie” é uma menção à famosa groupie Connie Hamzy.

O crítico Dave Marsh afirmou no livro The Hart Of Rock And Soul que a inspiração para Brewer compor a canção veio da turnê que o Grand Funk realizava com a banda inglesa Humble Pie. Após um show em 1973, as duas bandas foram beber juntas em um bar e se deu início a uma discussão sobre os méritos do rock norte-americano versus o rock britânico.

O baterista Don Brewer começou a citar os heróis do rock dos Estados Unidos, como Jerry Lee Lewis, Little Richard e Elvis Presley, finalizando, gritou a frase: “We’re An American Band!”. Na manhã seguinte, Brewer escreveu a canção.

A música está presente em alguns comerciais nos Estados Unidos, em alguns filmes, seriados e videogames. Bandas como Poison e Autograph já gravaram versões do clássico do Grand Funk.

Lançada como single, foi um sucesso absoluto. Alcançou a primeira posição da parada norte-americana de singles. Ficou na 99ª posição da eleição realizada pelo canal musical VH1 das 100 melhores músicas de Hard Rock de todos os tempos.

Outro riff bastante interessante e empolgante é a marca registrada da segunda canção do trabalho, “Stop Lookin’ Back”. A faixa apresenta um excelente trabalho de Craig Frost nos teclados e bons solos de Farner.

A terceira faixa do álbum é “Creepin’”. A música possui mais de sete minutos e quebra um pouco o ritmo do trabalho, por não ser uma canção curta e direta como as anteriores. Mas, ao mesmo tempo, é uma faixa mais cadenciada que apresenta excelente trabalho por parte de todos os músicos, ótimos vocais, bons solos e teclados muito inspirados. Certamente uma das melhores do álbum, excepcional música.

A quarta faixa do álbum, “Black Licorice”, retorna ao ritmo inicial do trabalho. É mais uma canção que conta com um riff bem simples e direto e bom trabalho nos vocais. Outra vez os teclados de Carig Frost se destacam bastante, muito inspirados! Outra ótima faixa.

A quinta faixa do álbum é “The Railroad”. É uma balada excelente, muito forte e marcante. O refrão é muito bonito e conta com ótimo trabalho de Mark Farner na guitarra, especialmente no solo. Certamente uma das melhores canções presentes no trabalho.

“Ain’t Got Nobody” é a sexta faixa de We’re An American Band e se trata de outra canção mais rápida e direta. Possui um bom refrão e um ritmo contagiante. “Walk Like A Man” segue o mesmo ritmo da faixa anterior, mas é uma canção mais marcante, com a guitarra mais forte e vocais mais impactantes. Outra excelente faixa do álbum.

A oitava faixa e que encerra o álbum é “Loneliest Rider”. A música apresenta um riff mais pesado e cadenciado, mas, simultaneamente, muito forte. O refrão é, mais uma vez, muito bom. É uma ótima forma de encerrar o trabalho, com outra grande canção.

We’re An American Band alcançou o segundo lugar da parada de sucesso norte-americana de álbuns, a Billboard, e também foi o responsável por popularizar o tradicional logotipo da banda.

Com o trabalho do produtor Todd Rundgren, tornando o som da banda mais “comercial e acessível”, o álbum foi o primeiro a receber comentários positivos por parte dos críticos especializados em música.

A turnê de divulgação foi um sucesso total, com estádios lotados e o público dos Estados Unidos contagiado pelo grupo. Os shows possuíam um enorme telão que apresentava imagens da banda previamente gravadas tocando em estúdio ou apenas se divertindo.

Formação:
Mark Farner – Guitarra, Teclado, Vocal
Don Brewer – Bateria, Percussão, Vocal
Mel Schacher – Baixo
Craig Frost – Teclado

Faixas:
01. We're an American Band (Brewer) – 3:27
02. Stop Lookin' Back (Brewer/Farner) – 4:52
03. Creepin' (Farner) – 7:02
04. Black Licorice (Brewer/Farner) – 4:45
05. The Railroad (Farner) – 6:12
06. Ain't Got Nobody (Brewer/Farner) – 4:26
07. Walk Like a Man (Brewer/Farner) – 4:05
08. Loneliest Rider (Farner) – 5:17

Letras:
Para o conteúdo das letras, recomendamos o acesso a: http://letras.terra.com.br/grand-funk-railroad/

Opinião do Blog:
O Grand Funk Railroad é uma banda muito importante para o cenário musical dos Estados Unidos no início da década de setenta.

Em uma época em que a música era dominada pelos grandes nomes britânicos como Led Zeppelin, Deep Purple e Black Sabbath, o Grand Funk Railroad foi a primeira ‘poderosa resposta genuinamente’ norte-americana no cenário do Hard Rock. E a banda verdadeiramente tinha orgulho em ostentar esta bandeira.

Mais uma vez provando que os críticos especializados em música, no mínimo, têm sérias dificuldades em entenderem propostas musicais – para não se dizer que não entendem é nada faz muito tempo – o público dos Estados Unidos ‘abraçou’ a banda desde seus primórdios enquanto os álbuns possuíam resenhas sempre depreciativas.

We’re An American Band apresenta o grupo com uma sonoridade mais madura e ainda mais acessível ao público, sendo o responsável por conquistar definitivamente os Estados Unidos. Canções como a faixa-título, “Stop Lookin’ Back”, “The Railroad” e “Loneliest Rider” são exemplos de composições de Hard Rock de primeira qualidade.

Excelente álbum, apresentando uma banda competente e inspirada, obrigatório para fãs de Rock & Roll de ótima qualidade.

Vídeos Relacionados:

We're an American Band, ao vivo


Stop Lookin' Back


Black Licorice, ao vivo


The Railroad


Contato: rockalbunsclassicos@hotmail.com

27 de agosto de 2011

BLACK SABBATH - PARANOID (1970)



Paranoid é o segundo álbum de estúdio da banda inglesa de Heavy Metal chamada Black Sabbath. Seu lançamento oficial aconteceu no dia 18 de setembro de 1970, sendo sua produção responsabilidade de Rodger Bain. As gravações ocorreram entre os dias 16 e 21 de junho de 1970, no Regent Sound Studios e no Island Studios, ambos em Londres, no Reino Unido.

O Black Sabbath havia lançado seu primeiro álbum, homônimo à banda, em 13 de fevereiro de 1970. Comercialmente, este lançamento foi um grande sucesso, por exemplo, atingiu a 8ª posição da parada britânica e a 23ª posição da parada norte-americana, na qual permaneceria por mais de um ano após seu lançamento.

Se os fãs receberam a novidade – uma banda musicalmente distinta do que existia até então – muito bem, os críticos especializados em música daquela época certamente não entenderam a nova proposta, tecendo revisões bastante pesadas sobre o álbum. Um exemplo disso foi o crítico musical Lester Bangs, da revista Rolling Stone, que fez um review ‘detonando’ o álbum.

Após curta turnê no Reino Unido e pouco se importando com as críticas, o Black Sabbath voltaria a se reunir para gravar o novo álbum de estúdio apenas quatro meses após o lançamento do primeiro trabalho.

O sucesso comercial que estava sendo obtido com o álbum Black Sabbath motivaram a banda e a gravadora para fazerem um novo lançamento e aproveitarem a boa recepção por parte do público, especialmente nos Estados Unidos.

Mais uma vez o álbum foi gravado muito rapidamente, em menos de seis dias. O produtor escolhido foi Rodger Bain, que já havia trabalhado com a banda na gravação do álbum Black Sabbath.

Originalmente, a banda desejava que o segundo álbum se chamasse War Pigs. Entretanto, como naquele momento o mundo se assustava com a guerra do Vietnã, a gravadora achou que o nome poderia ter uma repercussão bastante negativa.

A banda, entretanto, acreditava que a canção “War Pigs” era forte suficiente para ‘encabeçar’ o álbum e que também possuía, musicalmente, apelo comercial para ser o principal single para alavancar e suportar as vendas de seu segundo álbum.

O nome do álbum começaria a mudar quando a banda estava gravando-o. Ao pensar estar com o trabalho terminado, descobriu-se que com as canções prontas, não se conseguiria ‘encher’ um álbum de vinil para seu lançamento.

Dessa maneira, o Black Sabbath precisaria de mais uma música para seu segundo trabalho.

O baterista Bill Ward se recorda bem do momento, como declarou anos depois. Segundo ele, a banda não possuía canções suficientes para o álbum e Tony Iommi começou a tocar o riff de uma nova música. Do início até o fim, toda a gravação deve ter levado de vinte a vinte cinco minutos. Nascia, assim, “Paranoid”, que também se tornou o nome do segundo álbum.

Com as faixas prontas, a gravadora decidiu lançar o single “Paranoid” antes mesmo do próprio álbum. O single foi um sucesso, atingiu a 4ª posição da parada britânica deste tipo de lançamento e preparou o terreno para o lançamento do álbum.

A arte da capa é a representação visual do que seria um “war pig”, um ser barbudo, estranho, que carrega uma espada e um escudo, pulando de trás de uma árvore.

Neste segundo lançamento, a banda continua apostando na sonoridade que definiria o estilo Heavy Metal. Não somente no lado instrumental, como também na parte lírica das composições.

Um dos maiores clássicos da banda abre o álbum Paranoid. Trata-se de “War Pigs”, fantástica canção. Já no início da música, o Black Sabbath mostraria que continuava seguindo o caminho demonstrado no primeiro álbum, ou seja, músicas de aspecto aterrorizante. O riff da música é simplesmente magnífico.

Originalmente, “War Pigs” seria chamada de ‘Walpurgis’ com temática relativa à bruxaria, mas durante as gravações do álbum a banda decidiria alterar a temática da canção para uma mensagem anti-guerra.

O principal letrista da banda, o baixista Geezer Butler, disse que a mensagem da música é totalmente contrária a guerra do Vietnã, também, à maneira como os políticos e poderosos provocam e promovem guerras em benefício próprio, mas enviando os miseráveis para lutarem e morrerem nos conflitos.

A parte central da canção, quando a mesma muda seu ritmo, recebe o nome de “Luke’s Wall” (sendo creditada como “War Pigs/Luke’s Wall” em alguns lançamentos), sendo esta uma homenagem aos roadies da banda Geoff ‘Luke’ Lucas e Spock Wall.

“War Pigs” tornou-se um verdadeiro hino da banda e do Heavy Metal. Aparece frequentemente bem posicionada em eleições de melhores músicas de Heavy Metal de todos os tempos. Segundo os leitores da revista ‘Guitar World’, a canção possui o 56º melhor solo de todos os tempos.

Elf, Faith No More, Dream Theater são apenas alguns exemplos de bandas que fizeram versões para a canção. Também é encontrada em diversos jogos de videogames.

Talvez a canção mais conhecida da banda, “Paranoid”, homônima ao álbum, é a segunda faixa do trabalho. Acima já foi contada a clássica história de como este clássico foi composto e gravado, em cerca de meia hora.

“Paranoid” consta em praticamente todas as listas de melhores músicas de todos os tempos em diversas mídias, sendo revistas, sites e canais de televisão especializados em música. Tanto o riff clássico quanto o solo são muito conhecidos.

Mesmo depois de deixar a banda, o vocalista Ozzy Osbourne continuou a executar a música em suas performances ao vivo, jamais deixando de tocá-la. Diversos lançamentos do vocalista contam com gravações de “Paranoid”.

Nas paradas de singles, ficou na 4ª posição na parada respectiva do Reino Unido e na 61ª posição nos Estados Unidos.

Existem muitas versões da canção por diversas bandas. Só como exemplo, bandas como Megadeth, Avenged Sevenfold, Type O Negative, Green Day, etc. Na festa de 25º aniversário do Rock And Roll Hall Of Fame, em 2009, o Metallica executou a canção ao vivo, com Ozzy Osbourne nos vocais.

“Planet Caravan” é uma canção bastante diferente do estilo que o Black Sabbath adotava na época. É praticamente acústica, na qual o destaque vai para a percussão e os vocais de Ozzy, que foram gravados com efeitos, dando um aspecto bastante psicodélico à faixa.

O Pantera gravou uma versão de “Planet Caravan” que é encontrada no álbum Far Beyond Driven, de 1994. Foi lançada como single pelo Pantera, obtendo ótimas posições nas paradas de singles do Reino Unido e Estados Unidos.

Outro grande clássico é a quarta faixa do álbum, “Iron Man”. A música possui um dos mais conhecidos – e fantásticos – riffs de todos os tempos. Incríveis, também são a interpretação repleta de intensidade e sentimento por parte de Ozzy e o trabalho de baixo e bateria na música, realizados por Butler e Ward, respectivamente.

O título original da música seria ‘Iron Bloke’, mas foi alterado após Ozzy ouvir o riff inicial da música pela primeira vez, dizendo que parecia os passos de um gigantesco homem de ferro. Assim a música passou a se chamar “Iron Man”.

Butler explicou que as letras da canção em nada foram inspiradas pelo popular personagem de história em quadrinhos da Marvel, o Homem de Ferro. A música fala de um viajante no tempo que vai ao futuro e presencia o apocalipse. Ao retornar, ele se transforma no homem de ferro ao passar por um campo magnético. Mudo, fracassa nas tentativas de avisar a humanidade sobre o terrível futuro iminente e acaba sendo ridicularizado. Por vingança, o homem de ferro acaba promovendo o apocalipse que havia presenciado em sua viagem.

Várias bandas já fizeram versões da canção, como The Cardigans, NOFX e mesmo o Metallica, quando o Black Sabbath entrou para o hall da fama do rock em 2006. A música também pode ser ‘tocada’ em vários games.

Está em várias relações do tipo melhor canção de todos os tempos, sendo que o canal de televisão VH1 a elegeu melhor canção de heavy metal em 2006. Em 2000, uma versão ao vivo do clássico venceu o Grammy de Melhor Performance de Heavy Metal.

Alguns músicos ‘acusam’ “Iron Man” de ser uma das músicas que mais os influenciaram para serem músicos. Encontram-se declarações sobre a canção por gente como Dimebag Darrell Abbott (Pantera), Lars Ulrich (Metallica) e Slash (ex-Guns ‘N’ Roses).

Mais um clássico do Sabbath está neste álbum, “Eletric Funeral”. O riff é mais uma sensacional composição do guitarrista Tony Iommi, o mestre dos riffs, sendo o mesmo pesado, intenso e totalmente mórbido. Ozzy faz um trabalho impressionante na interpretação da canção, conseguindo transmitir a mensagem das letras, bastante pessimistas, de maneira brilhante.

A canção fala de uma guerra nuclear e suas consequências. Descreve de maneira bem pessimista e obscura uma terra esvaziada, contaminada pela radiação, com uma população sub-humana mutante vivendo em um lugar insuportável, sempre temendo mais uma tempestade radioativa.

Bandas como Pantera, Soufly e Iced Earth são algumas que já fizeram covers de “Eletric Funeral”.

A sexta faixa do álbum é “Hand Of Doom”. Ótima música que começa mais lentamente e rapidamente apresenta outro grande riff de Iommi. A canção apresenta excelentes trabalhos da bateria de Bill Ward e dos vocais de Ozzy Osbourne. A canção faz referência ao uso de drogas como heroína e seus efeitos. É uma ótima faixa.

A sétima música presente no álbum é “Rat Salad”. É uma curta canção instrumental e com destaque para um ótimo trabalho de bateria feito por Bill Ward.

Fecha o álbum outro clássico do Black Sabbath, “"Fairies Wear Boots", mais uma canção que se inicia com um sensacional riff de Tony Iommi, seguido de um pequeno, porém inspirado, solo de sua guitarra. O riff principal da faixa também é ótimo, mesmo sendo simples.

É a música de Paranoid com maior contribuição do vocalista Ozzy Osbourne em sua composição. Segundo Geezer Butler, ela retrata um encontro de membros da banda com Skinheads, e na canção, eles são pejorativamente chamados de fadas.

A parte introdutória da canção é conhecida como “Jack The Stripper” e em alguns lançamentos a música foi creditada como “Jack The Stripper/Fairies Wear Boots”. Também possui muitas versões cover feitas por outras bandas, por exemplo Flotsam & Jetsam e a banda composta somente por garotas, Phantom Blue.

Paranoid alcançou o topo da parada britânica de álbuns. Foi lançado apenas em janeiro de 1971 nos Estados Unidos, pois o primeiro álbum, Black Sabbath, ainda estava nas paradas de sucesso por lá. Paranoid alcançou a 12ª posição da parada norte-americana de álbuns, mesmo sem apoio das rádios, vendendo mais de quatro milhões de cópias somente naquele país no ano de 1971.

Se na época do lançamento os críticos ‘especializados’ continuaram criticando pesadamente tanto o álbum quanto a banda, o tempo provou que estavam equivocados. Os críticos modernos, em sua maioria, retratam Paranoid muitas vezes como o melhor e mais influente álbum de heavy metal de todos os tempos, definidor da sonoridade e de um estilo musical.

Com o sucesso do single “Paranoid”, a banda fez sua primeira turnê nos Estados Unidos em dezembro de 1970, aproveitando para lançar um segundo single, “Iron Man”.

Formação:
Ozzy Osbourne – Vocal
Tony Iommi –Guitarra
Geezer Butler – Baixo
Bill Ward – Bateria

Faixas:
01. War Pigs (Osbourne/Iommi/Butler/Ward) – 7:55
02. Paranoid (Osbourne/Iommi/Butler/Ward) – 2:47
03. Planet Caravan (Osbourne/Iommi/Butler/Ward) – 4:30
04. Iron Man (Osbourne/Iommi/Butler/Ward) – 5:58
05. Electric Funeral (Osbourne/Iommi/Butler/Ward) – 4:47
06. Hand of Doom (Osbourne/Iommi/Butler/Ward) – 7:07
07. Rat Salad (Osbourne/Iommi/Butler/Ward) – 2:29
08. Fairies Wear Boots (Osbourne/Iommi/Butler/Ward) – 6:13

Letras:
Para o conteúdo das letras, recomendamos o acesso a: http://letras.terra.com.br/black-sabbath/

Opinião do Blog:
Paranoid é tido por muitos como o melhor álbum de Heavy Metal de todos os tempos.

Concordando ou não com a opinião, fato é que se trata da banda que definiu os parâmetros iniciais do, na época, novo estilo. E Paranoid, seu segundo álbum, é um amadurecimento natural do primeiro trabalho, lançado apenas meses antes.

Em Paranoid, temos alguns dos maiores clássicos não apenas do Black Sabbath, mas do Heavy Metal. Maiores comentários são desnecessários para canções como “War Pigs”, “Iron Man”, “Paranoid” e “Eletric Funeral”, verdadeiros hinos do estilo.

Ozzy continua imprimindo uma interpretação perfeita para as canções, Butler e Ward compõem uma ótima seção rítmica, sem falar em Tony Iommi, o maior compositor de riffs da história do Heavy Metal e um dos maiores da música, independente de estilo ou vertente musical. Em Paranoid, praticamente todas as canções podem ser lembradas por seu s riffs, construídos de maneira impactante. Simplesmente genial!

Liricamente, o Black Sabbath continua apostando em fazer ‘músicas de terror’, mas agora de uma maneira diferente. Em Paranoid, a influência do ocultismo é menor e o grupo aposta em temas políticos e sociais da época, mas que permanecem atuais. A inovação é a visão pessimista da realidade e da condição humana como um todo, considerando o apocalipse como inevitável.

Assim, Paranoid é um álbum que influenciou um número inimaginável de bandas e músicos que surgiram após seu lançamento. É mais um álbum que é referência quando o assunto é Heavy Metal. Álbum extraordinário.

Vídeos Recomendados:

War Pigs, ao vivo


Paranoid


Iron Man


Eletric Funeral, ao vivo


Fairies Wear Boots, ao vivo


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23 de agosto de 2011

MEGADETH - RUST IN PEACE (1990)



Rust in Peace é o quarto álbum de estúdio da banda norte-americana de Heavy Metal chamada Megadeth. Foi lançado em 24 de setembro de 1990 com a produção sendo realizada por Mike Clink e também pelo guitarrista e líder da banda, Dave Mustaine. O álbum foi gravado durante o ano de 1990, no Rumbo Studios, na Califórnia, nos Estados Unidos.

Em janeiro de 1988, o Megadeth lançava seu terceiro álbum de estúdio, o ótimo So Far, So Good... So What! Embora se trate de um álbum muito bem recebido por seus fãs e considerado um clássico nos dias de hoje, parte da crítica especializada da época não recebeu o trabalho de maneira positiva.

É nele que está presente um dos maiores clássicos da banda, “In My Darkest Hour”, música composta por Dave Mustaine em homenagem à memória do baixista Cliff Burton, do Metallica, morto em um terrível acidente em 1986.

Em fevereiro daquele ano, o Megadeth inicia uma grande turnê para promover o álbum, começando como banda de abertura para o lendário Ronnie James Dio na Europa e, depois, fazendo as apresentações de abertura do Iron Maiden nos Estados Unidos, com sua famosa turnê ‘7th Tour Of 7th Tour”.

Nesta altura, o baterista da banda era Chuck Behler, que apresentava problemas de saúde relacionados a abuso de drogas. Mustaine então contratou o baterista Nick Menza como técnico de bateria (roadie) de Behler, deixando-o de sobreaviso para o caso de Behler não conseguir prosseguir com os trabalhos.

Em maio de 1988, um bêbado Dave Mustaine age de maneira irresponsável, provocando uma grande selvageria em um show em Antrim, na Irlanda do Norte. Mustaine dedica a canção “Anarchy in the UK” ao IRA (Exército Republicano Irlandês), com a frase: “This one is for the cause, give Ireland back to the Irish!” Com isto, católicos e protestantes entraram em grande conflito, que foi a inspiração para que Mustaine compusesse a canção “Holy Wars... The Punishment Due”.

Em agosto de 1988, o Megadeth participa do Monsters Of Rock, festival que acontece no castelo de Donnington, juntamente com KISS, Iron Maiden, Helloween, Guns ‘N’ Roses e David Lee Roth, ex-vocalista do Van Halen, com uma audiência superior a cem mil pessoas. A banda foi convidada para participar do Monsters Of Rock European Tour, mas a banda desiste de participar logo após a primeira apresentação, devido aos problemas do baixista David Ellefson com o abuso de drogas.

Após isso, Mustaine acabou demitindo o baterista Chuck Behler e o guitarrista Jeff Young, alegando que havia muitos problemas na banda que eram potencializados enquanto o grupo estava em turnê, especialmente relacionados ao abuso de drogas. Por causa disso, o Megadeth cancelou a turnê que faria na Austrália.

Em julho de 1989, o então roadie, Nick Menza, é contratado como baterista oficial da banda. Como trio, o grupo grava o cover “No More Mr. Nice Guy”, do Alice Cooper, que acabou se tornando trilha sonora do filme Shocker, de Wes Craven, de 1989.

Depois disso, Dave Mustaine acabou preso por dirigir intoxicado e em posse de narcóticos, quando bateu em um carro estacionado em que estava um policial de folga. No tribunal, o vocalista foi condenado a frequentar uma clínica de reabilitação e ficando sóbrio pela primeira vez em dez anos.

Com sua nova sobriedade, o Megadeth passou a uma lenta busca por um novo guitarrista. Lee Altus, da banda Heathen e Eric Meyer, do Dark Angel, foram ‘testados’. Meyer já havia sido convidado quando Chris Polland foi demitido da banda, mas preferiu continuar no Dark Angel. Também era comum Slash fazer seções com Mustaine e Ellefson e aparentava que ele iria se juntar ao conjunto, mas ele permaneceu no Guns ‘N’ Roses.

Também Dimebag Darrell Abbott, da então desconhecida banda Pantera, foi ouvido e convidado para adentrar o Megadeth, mas acabou recusando por que insistia que somente faria parte do grupo se o seu irmão e baterista Vinnie Paul Abbott também fosse contratado. Mas Mustaine havia acabado de contratar Nick Menza como baterista e Dimebag continuou no Pantera.

Em 1987, Mustaine havia demitido o guitarrista Chris Poland e fez um teste com um guitarrista de, na época, 16 anos, Jeff Loomis (das bandas Sanctuary e Nevermore). Embora tenha ficado impressionado com a atuação do jovem, ele temeu contratá-lo por conta de sua pouca idade.

De volta a 1989, Loomis fica sabendo que o Megadeth mais uma vez se encontrava buscando um guitarrista. Ao assistir a um show da banda Cacophony, que contava com os guitarristas Jason Becker e Marty Friedman, Loomis conta a Friedman sobre a vaga no Megadeth. Marty havia acabado de lançar um álbum solo, Dragon’s Kiss, de 1988.

Em seu primeiro teste, Mustaine rejeitou Friedman, acredite, pois este possuía um cabelo multicolorido. Mas Friedman acabou sendo contratado em fevereiro de 1990 como guitarrista do Megadeth. A escolha se revelaria mais que acertada, pois se trata de um excelente guitarrista.

Com Mustaine na guitarra e vocal, Dave Ellefson no baixo, Nick Menza na bateria e Marty Friedman na guitarra, o Megadeth entra em estúdio em março de 1990 para iniciar a composição e gravação de Rust In Peace. Seria a primeira vez que a banda conseguiria gravar um álbum inteiro sem trocar de produtor durante o processo e, também, pela primeira vez, o grupo estava sóbrio durante todo o trabalho sem os rotineiros problemas relacionados ao consumo excessivo de drogas que atrapalharam as gravações dos álbuns anteriores.

A ideia para o nome do álbum, Rust In Peace, veio enquanto Dave Mustaine estava dirigindo e viu um adesivo no para-choque de um veículo. De um lado havia a frase: 'One nuclear bomb could ruin your whole day' e do outro: 'May all your nuclear weapons rust in peace'. No mesmo instante, Mustaine pensou que Rust In Peace seria um ótimo nome para o álbum, como declarou anos depois.

A arte da capa foi baseada em uma ideia de Dave Mustaine, sendo elaborada pelo artista Ed Repka. Ela conta com o mascote do Megadeth, Vic Rattlehead, e os cinco líderes da "five major world powers", do início dos anos noventa. Os cinco líderes, da esquerda para direita, presentes na capa, são: o ex-Primeiro Ministro Britânico John Major, ex-Primeiro Ministro Japonês Toshiki Kaifu, ex-Presidente da Alemanha Richard von Weizsäcker, ex-Secretário Geral da União Soviética Mikhail Gorbachev, e o ex-Presidente dos Estados Unidos George H. W. Bush.

Abre o álbum um dos grandes clássicos da banda, “Holy Wars... The Punishment Due”. A música é uma grande aula de composição, possuindo riffs mais que inspirados, na realidade, brilhantes. A atuação das guitarras é excepcional, contando com solos excelentes.

“Holy Wars” foi inspirada pelo conflito existente no Reino Unido pela libertação da Irlanda do Norte, relativo ao IRA e as animosidades entre católicos e protestantes. Também incentivou na concepção da canção os incidentes ocorridos no show na Irlanda do Norte em maio de 1988, que foi descrito acima e forçou a banda a continuar a turnê pelo Reino Unido em um ônibus ‘à prova de balas’.

“The Punishment Due” é inspirada no popular personagem dos quadrinhos da Marvel, o Justiceiro (The Punisher).

Foi feito um videoclipe para ‘Holy Wars’ e neste havia várias imagens de guerras ocorridas na década de oitenta, em sua maioria, capturadas de conflitos no Oriente Médio. Lançada como single, alcançou a 24ª posição da parada britânica. É presença obrigatória nos shows desde então.

“Hangar 18” é a segunda faixa do álbum. É mais um clássico absoluto do Megadeth. É outra faixa com uma verdadeira aula de inspiração na criação de riffs e solos de guitarras, contagiantes para quem é fã do estilo.

O baterista Nick Menza afirmou que a canção é baseada em teorias de conspiração de natureza ufológica. O hangar 18 seria uma base militar norte-americana que abrigaria artefatos alienígenas, assim como formas biológicas cadavéricas de seres vivos de outros planetas mantidas congeladas. Mustaine confirma a inspiração, citando que o hangar 18 se situaria na região conhecida como “the four corner state”, nos Estados Unidos, sendo mais precisamente encontrada na base-aérea  Wright-Patterson Air Force Base, em Ohio.

“Hangar 18” possui um videoclipe promocional da canção inspirado nas letras da canção, apresentando alienígenas sendo torturados e, no fim, os quatro membros da banda em uma câmara de congelamento.

Lançada como single, atingiu a 26ª posição da parada britânica. Mais que isso, foi nomeada para o prêmio Grammy de 1992 na categoria “Best Metal Performance”, embora não tenha vencido.

É outra presença obrigatória nos shows. No nono álbum de estúdio da banda, The World Needs A Hero, de 2001, o grupo gravou uma sequência para a canção, “Return To Hangar”, na qual as letras se referem aos cadáveres alienígenas congelados retornando à vida.

“Take No Prisoners” é a terceira faixa do álbum, com um ótimo riff, ora bem rápido, ora mais cadenciado. A música possui ótimos solos ao seu final. Sua letra se refere a prisioneiros de guerra.

A quarta faixa de Rust In Peace é “Five Magics”, canção que se inicia de maneira mais lenta e com forte base construída pelo baixo de Ellefson, a qual rapidamente dá lugar a inspirado riff criado por Mustaine. É baseada no romance Master Of The Five Magics, de Lyndon Hardy. Ótima canção.

A quinta faixa do álbum é “Poison Was The Cure” que tem suas letras inspiradas no vício que Mustaine possuía em heroína. Também conta com uma excelente introdução que se desenvolve em um excelente riff, puro Thrash Metal de altíssimo nível. Mais uma excelente canção.

“Lucretia” é a sexta canção do álbum. Conta com mais um riff inspiradíssimo por parte de Dave Mustaine. A música segue em um ritmo mais cadenciado, porém pesado, dando espaço para excelentes solos. As letras foram inspiradas em uma brincadeira: Lucretia seria um fantasma que vive no sótão de Mustaine.

Um dos melhores riffs da história do Heavy Metal abre a sétima faixa, a extraordinária “Tornado Of Souls”. A faixa é uma aula sobre riffs de guitarras, contando com solos de pura inspiração e muita técnica. Certamente uma das melhores canções de toda a discografia da banda, exemplo de muito peso repleto de melodia.

As letras de “Tornado Of Souls” são uma reflexão sobre relacionamentos que não funcionam bem e a dificuldade muitas vezes encontrada em terminá-los. Excelente trabalho, também, na bateria de Nick Menza. Aliás, todos merecem destaque na faixa.

Um ótimo trabalho no baixo por parte de Ellefson é a marca registrada da oitava faixa, “Dawn Patrol”. Suas letras são declamadas ao invés de cantadas, tratando da destruição do meio-ambiente pelo aquecimento global e como seria a vida dos seres humanos após uma guerra nuclear.

Fecha o álbum outra faixa sensacional, “Rust In Peace... Polaris”. As letras da canção falam sobre os mísseis intercontinentais (com alcance superior a 5000 Km) e que seriam usados em uma possível guerra nuclear. Inclusive, Polaris é o nome de um desses mísseis, o UGM-27 Polaris.

Possui uma ótima introdução pela bateria de Menza e é construída baseando-se em excelentes riffs compostos por Dave Mustaine, pesados e ao mesmo tempo com muita melodia. Mais um excepcional trabalho das guitarras do Megadeth.

Seguindo o lançamento de Rust In Peace, em setembro de 1990, a banda saiu em grande turnê. Primeiramente, uniu-se às bandas Slayer, Testament e Suicidal Tendencies para a “Clash Of Titans” Tour, pela Europa.

Já em outubro de 1990, o Megadeth foi convidado para ser a banda de abertura dos gigantes do Heavy Metal, o Judas Priest, que realizava a turnê de divulgação de seu lançamento daquele mesmo ano, o fantástico Painkiller. A turnê com o Judas Priest terminaria em janeiro de 1991, com uma apresentação no festival Rock In Rio II, para cerca de 120 mil pessoas.

Com o sucesso da turnê europeia “Clash Of Titans”, uma versão norte-americana teve início em maio de 1991, com o Megadeth, Slayer, Anthrax e o Alice In Chains. Ainda em 1991 a banda lançaria seu primeiro Home Video, o Rusted Pieces, que continha seis videoclipes da banda e uma entrevista com os membros.

O álbum Rust In Peace teve ótima recepção pela crítica e pelos fãs. O álbum atingiu a 23ª posição na parada de álbuns norte-americana e a 8ª posição na parada britânica. Em 1991, o álbum foi indicado para o Grammy na categoria de melhor performance de Heavy Metal, mas não saiu vitorioso.

O álbum é quase sempre citado como um dos melhores lançamentos de Heavy Metal de todos os tempos: a eleição feita pelo site MusicRadar o colocou na sexta posição dentre os 50 melhores álbuns de Heavy Metal, enquanto o IGN o considerou o quarto álbum mais influente do estilo.

Em 2010, comemorando o vigésimo aniversário do lançamento de Rust In Peace, a banda fez uma turnê comemorativa com 22 apresentações entre 1º e 31 de março, na qual tocava o álbum inteiro na ordem e na íntegra. Outras bandas clássicas do Thrash Metal norte-americano, Exodus e Testament, acompanharam o Megadeth na tour.

Formação:
Dave Mustaine – Guitarra e Vocal
Marty Friedman – Guitarra
Dave Ellefson – Baixo, Backing Vocals
Nick Menza – Bateria, Backing Vocals

Faixas:
01. Holy Wars... The Punishment Due (Mustaine) - 6:32
02. Hangar 18 (Mustaine/Menza) - 5:11
03. Take No Prisoners (Mustaine) - 3:27
04. Five Magics (Mustaine) - 5:39
05. Poison Was the Cure (Mustaine) - 2:56
06. Lucretia (Mustaine/Ellefson) - 3:56
07. Tornado of Souls (Mustaine/Ellefson) - 5:19
08. Dawn Patrol (Ellefson) - 1:51
09. Rust in Peace... Polaris (Mustaine) - 5:44

Letras:
Para o conteúdo das letras, recomendamos o acesso a: http://letras.terra.com.br/megadeth/

Opinião do Blog:
É indiscutível a importância que o Megadeth tem no cenário do Thrash/Heavy Metal mundial. A banda possui uma discografia sólida e consistente, sempre com lançamentos que apresentam canções de qualidade. O ponto baixo da carreira é o álbum Risk, de 1999, no qual a banda apostou em um novo caminho e não foi lá muito bem sucedida.

Dave Mustaine sempre se mostrou uma figura inconstante. Demitiu vários e diversos músicos talentosos da banda, brigou com vários outros (da banda e de fora dela), faz declarações polêmicas (e infelizes) em algums entrevistas, além de sua controversa conversão ao cristianismo. Por anos, parecia obcecado em realizar sua vingança prometida contra o Metallica por conta de sua demissão do grupo.

Se o Megadeth não conseguiu o sucesso comercial do Metallica, simultaneamente, Mustaine demonstrou durante todo seu trabalho com a banda ser um dos melhores compositores da história do Heavy Metal. Em especial na construção de riffs inspirados e letras que, se não se pode concordar com seu conteúdo, primam pela criatividade e busca por temas políticos e sociais de relevância. Talvez o fato de Mustaine não poder ser considerado um grande vocalista (e, de fato, não passa nem perto) atrapalhou a banda em conseguir maior repercussão comercial. Entretanto, Mustaine tem a seu favor outro trunfo: o fato inconteste de ser um excelente guitarrista.

Rust In Peace apresenta a banda com sua melhor formação. Todas as faixas do álbum são de profunda inspiração e contam com riffs magníficos. “Holy Wars”, “Hangar 18”, “Rust In Peace” são clássicos indiscutíveis, além da aula de guitarras que é “Tornado Of Souls”, uma faixa extraordinária.

Rust In Peace é mais que um álbum recomendado ou obrigatório. É uma referência para fãs de Heavy Metal, o qual apresenta uma aula de guitarras, de construção de riffs e, fundamentalmente, que o Heavy Metal pode sim ser pesado e, ao mesmo tempo, repleto de melodias. Um álbum excepcional!

Vídeos Recomendados:

Holy Wars... The Punishment Due, ao vivo


Hangar 18, ao vivo no Rock In Rio II


Rust In Peace... Polaris, ao vivo


Tornado Of Souls, ao vivo


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