31 de julho de 2011

DIO - HOLY DIVER (1983)



Holy Diver é o álbum de estreia da carreira solo de Ronnie James Dio. Seu lançamento ocorreu no dia 25 de maio de 1983 e a produção ficou sob responsabilidade do próprio Dio. O álbum foi gravado já em 1983 no Sound City Studios, em Van Nuys, na Califórnia.

Quando se lançou em carreira solo, Ronnie batizou sua banda simplesmente de DIO, pois era um nome reconhecido internacionalmente, devido, principalmente, sua presença anteriormente em bandas consagradas do rock, como Rainbow e Black Sabbath.

Em 1982, Dio ainda estava como vocalista do Black Sabbath, embora alguns problemas já tivessem acontecido anteriormente e desgastado a relação de Dio com os demais membros do Sabbath.

Já em 1980, quando gravaram o clássico Heaven And Hell, Dio ficou irritado quando o álbum foi lançado e as composições das músicas foram creditadas a todos os membros da banda. Dio afirmou posteriormente que ele e Tony Iommi foram responsáveis pela criação musical de todo o álbum.

Durante a gravação de Mob Rules, em 1981, o problema foi outro. Dio afirmou que lutava diariamente contra o que chamou de “negatividade” da banda, mais notadamente do baixista Geezer Butler. Dio disse que apresentava as canções para os membros do grupo e tinha que enfrentar o pessimismo que havia em relação às gravações e a repercussão das músicas. Este descontentamento foi explicitado na música “Over And Over” do próprio álbum.

Ao sair em turnê em 1981, algumas apresentações foram gravadas para lançarem um álbum ao vivo, Live Evil, de 1982. Durante a mixagem do álbum, Dio foi acusado de “sabotagem” pelos demais membros da banda, acusando-o de entrar nos estúdios e aumentar o volume de sua voz nas faixas.

Com isso, Dio é demitido da banda. Para continuar sua carreira, o vocalista decide montar uma banda própria e que permitisse explorar suas características como compositor. O baterista do Black Sabbath na época e grande amigo de Dio, Vinny Appice, também deixa o Sabbath e o acompanha para sua nova banda.

Para a guitarra o escolhido foi Vivian Campbell, que era da banda Sweet Savage, e depois veio a tocar em bandas do calibre de Whitesnake e Def Leppard. Quando Campbell se reúne à banda, a maior parte de Holy Diver já estava composta. O guitarrista ainda gravaria mais dois álbuns com Dio, The Last In Line (1984) e Sacred Hart (1985). Mas, por motivos comerciais, os dois acabariam tendo uma contenda judicial e nunca foram amigos. Encontram-se algumas entrevistas em que Campbell ‘detona’ Dio, especialmente enquanto ‘homem de negócios’.

O baixista foi um velho conhecido de Dio, Jimmy Bain, que havia tocado ele com no clássico do Rainbow, Rising, de 1976 (já analisado por este blog). Inclusive, para a gravação do álbum Holy Diver, Bain e Dio se revezaram nos teclados, pois a banda ainda não contava com um tecladista.

Para a turnê, o tecladista Claude Schnell foi contratado e trabalharia em mais alguns álbuns com o vocalista.

A arte da capa causou alguma polêmica, pois possui um desenho de um demônio matando um padre. Dio disse certa vez que a capa pode ser interpretada ao contrário, com o Padre matando o demônio. O diabo é o mascote da banda, chamado Murray, e também apresenta o logotipo da banda Dio, que alguns dizem que pode ser lido como Die (matar, em inglês) ou Devil (diabo, em inglês). Ronnie James Dio disse que isso foi tirado das cabeças das pessoas, que o que está escrito é apenas o nome da banda.

“Stand Up And Shout” abre o álbum de forma magnífica. É uma canção bem rápida, com um riff excepcional e um vocal forte e impressionante de Dio. O solo de guitarra de Campbell também é ótimo, com muita velocidade. É realmente uma ótima faixa para se começar um grande trabalho.

A faixa homônima ao álbum, “Holy Diver”, é a segunda do álbum. Trata-se de um dos grandes clássicos não só da carreira do vocalista, mas da história do Heavy Metal. A canção começa com um som do vento acompanhado pelo teclado. O riff da canção é forte e marcante, com ótima atuação de Dio nos vocais. O solo também é dos melhores.

Quando era tocada nas rádios, as mesmas cortavam a introdução instrumental da música. Lançada como single, alcançou apenas a quadragésima posição nas paradas dos Estados Unidos. Era presença mais que obrigatória nos shows de Dio.

“Gypsy” é a terceira faixa do álbum. A faixa também aposta em um riff bem rápido e pesado e conta com ótimos solos por parte do talentoso Campbell. O vocal de Dio é bem agressivo. Trata-se de uma canção de curta duração, mas mesmo assim é muito boa.

“Caught In The Middle” é a quarta canção do álbum. O riff da faixa é ótimo, bem contagiante. Ela não é tão rápida quanto as anteriores, tem um ritmo um tanto mais cadenciado. A atuação de Dio nos vocais é fabulosa, abusando dos agudos, mas sem soar forçado. O refrão é empolgante e de excelente gosto. Um dos pontos mais altos do álbum.

Na sequência surge a fantástica “Don’t Talk To Strangers”. A música se inicia em um ritmo bastante lento, em ritmo muito leve, quase soando como uma balada. Entretanto, a canção, após esta introdução suave, desencadeia em um riff poderoso e pesado, de ritmo bem mais veloz, dando margem a vocais mais agressivos de Dio. Os solos são ótimos. Mais para o final a faixa volta ao ritmo inicial. A atuação do vocalista nesta faixa é fabulosa. Excepcional faixa!

“Straight Through The Heart” é mais uma faixa pesada e que conta com vocais ótimos do grande vocalista. Tem um ritmo mais cadenciado e contém um dos melhores e mais inspirados solos do álbum. O solo final é pequeno, mas também muito bom.

“Invisible” tem uma introdução bem mais lenta e suave, com ótima atuação de Dio, demonstrando sua versatilidade. Mas também logo dá espaço a um riff mais forte, embora não seja dos mais velozes. O refrão também é ótimo.

Mais um grande clássico da carreira de Dio está presente no álbum, é a mais que conhecida “Rainbow In The Dark”.

Certa vez Dio afirmou que após gravar “Rainbow In The Dark”, ele ficou bastante descontente com o resultado da faixa, considerando-a muito pop. Disse que teve vontade de destruir a fita, mas foi persuadido pelos demais membros da banda a não o fazer, pois eles gostaram da música. Curiosamente, ela se tornou um dos maiores sucessos da carreira do baixinho e uma das prediletas de seu público fiel. Dio agradeceu bastante aos seus companheiros de banda por não tê-lo permitido destruir o clássico!

A letra é uma referência ao seu sentimento quando foi dispensado do Black Sabbath, sentindo-se rejeitado e sozinho, como um “Rainbow In The Dark”, apesar da canção conter no nome a denominação de outra banda anterior de Dio, o Rainbow.

Lançada como single, alcançou a 14ª posição na parada norte-americana, a Billboard. Também foi produzido um videoclipe para promovê-la.

A ótima “Shame On The Night” fecha o álbum, uma canção mais cadenciada, mas repleta de peso e melodia. O destaque vai para a atuação magnífica de Dio nos vocais, imprimindo muita emoção na interpretação da faixa.

Todas as letras de Holy Diver são de autoria de Ronnie James Dio.

Após o lançamento do álbum, a banda iniciou a Holy Diver Tour, para promover o álbum. Na parada norte-americana de álbuns, Holy Diver alcançou a 13ª posição, além de sempre estar muito bem posicionado em todas as eleições de grandes discos de Heavy Metal de ‘todos os tempos’.

Já em 1984 a banda gravaria seu segundo álbum de estúdio, o ótimo “The Last In Line”.

Em 2005, Dio gravou um álbum ao vivo que continha todas as faixas de Holy Diver tocadas na íntegra, o álbum Holy Diver – Live. Uma justa homenagem a este álbum fantástico.

Infelizmente, Ronnie James Dio faleceu no dia 16 de maio de 2010, vítima de complicações decorrentes de um câncer de estômago.

Formação:
Ronnie James Dio – Vocal, Teclados
Vivian Campbell – Guitarra
Jimmy Bain – Baixo, Teclados
Vinny Appice – Bateria

Faixas:
01. Stand Up and Shout (Bain/Dio) - 3:18
02. Holy Diver (Dio) - 5:51
03. Gypsy (Campbell/Dio) - 3:39
04. Caught in the Middle (Appice/Campbell/Dio) - 4:14
05. Don't Talk to Strangers (Dio) - 4:53
06. Straight Through the Heart (Bain/Dio) - 4:31
07. Invisible (Appice/Campbell/Dio) - 5:24
08. Rainbow in the Dark (Appice/Bain/Campbell/Dio) - 4:15
09. Shame on the Night (Appice/Bain/Campbell/Dio) - 5:20

Letras:
Para conteúdo das letras, recomendamos o acesso a: http://letras.terra.com.br/dio/

Opinião do Blog:
Esta resenha é antes de mais nada uma humilde, mas sincera homenagem ao grande talento de Ronnie James Dio, não apenas como o excepcional vocalista que foi, mas também para o também grande compositor.

Dio teve grandes trabalhos à frente de todas as bandas nas quais se apresentou, seja no Elf, no Rainbow, no Black Sabbath (Heaven And Hell) e em sua carreira solo. São inúmeros álbuns e músicas, verdadeiros hinos do Rock And Roll, como Rising, do Rainbow  e Heaven And Hell do Black Sabbath, só como exemplos.

Holy Diver é uma aula de Heavy Metal, uma grande amostra que o peso do estilo não limita a criatividade e nem prejudica as melodias nas canções. Um álbum fantástico, repleto de músicas que são clássicos dentro do estilo.

Infelizmente, Dio nos deixou em 2010 e ficou uma sensação de enorme perda para o mundo metal. Não somente pelo talento enorme que possuía, mas pelo caráter de sua pessoa, basta vermos as manifestações dos mais diferentes músicos quando de seu falecimento.

Dio se foi, mas sua obra ficará para sempre. Cabe aos fãs desse grande vocalista, apresentarmos sua obra às novas gerações, apresentando-lhes quem foi uma das maiores, se não a maior, vozes da história do Heavy Metal. RIP, Dio!

Vídeos Recomendados:

Holy Diver, ao vivo em 2005


Caught In The Middle


Don't Talk To Strangers, ao vivo


Rainbow In The Dark, ao vivo


Sugestões, Críticas e Contatos: rockalbunsclassicos@hotmail.com
Siga-nos no Twitter: @RockAlbunClasic

30 de julho de 2011

DEF LEPPARD - HYSTERIA (1987)



*Resenha sugerida e dedicada a minha amiga e grande fã do Blog Karen Cristyne

Hysteria é o quarto álbum de estúdio da banda inglesa Def Leppard. Seu lançamento ocorreu em 3 de agosto de 1987 e teve a produção a cargo de John “Mutt” Lange em parceria com a  própria banda. Sua gravação durou quase três anos, de fevereiro de 1984 a janeiro de 1987.

Alguns estúdios foram usados para a gravação do álbum, sendo: Wisseloord Studios, em Hilversum, na Holanda, Windmill Lane Studio 2, em Dublin, na Irlanda; Studio Des Dames, em Paris, na França.

O álbum anterior do Def Leppard, Pyromania, foi lançado em 1983 e foi um tremendo sucesso, especialmente nos Estados Unidos. O álbum alcançou a segunda posição na parada norte-americana, sendo batido apenas por Thriller, de Michael Jackson. Mas seu principal single “Photograph” chegou a ser o videoclipe mais pedido da MTV dos Estados Unidos, suplantando “Beat It”, do Rei do Pop.

Assim a banda fez uma grande turnê em 1983 e era tida como uma das grandes bandas de rock à época, ao lado de nomes como Rolling Stones e AC/DC. Após a turnê, a banda deu uma pequena parada para começar a gravação de seu novo álbum em 1984.

Em fevereiro de 1984, a banda se mudou para Dublin, na Irlanda, e começou a escrever e gravar o novo álbum sob a produção de “Mutt” Lange. No entanto, Lange pediu para se retirar da produção do álbum, alegando que sua agenda de trabalho praticamente ininterrupta estava o deixando exausto. Para seu lugar a banda traz Jim Steinman, que trabalhou com o Meat Loaf.

O trabalho com Steinman foi um verdadeiro desastre, a começar pela intenção do novo produtor em captar um álbum com som cru e gravado “ao vivo” no estúdio. A banda, no entanto, queria uma produção bem mais limpa e voltada a uma sonoridade um pouco mais pop e menos ‘crua’. Assim, Steinman foi demitido e o que se gravou naquela época nunca foi aproveitado.

Se as coisas não estavam dando certo, pioraram no dia 31 de dezembro de 1984. Um terrível acidente automobilístico com o baterista Rick Allen nas cercanias de Sheffield, na Inglaterra. Rick bateu com seu Corvette em alta velocidade após sair da pista em uma curva. O baterista sobreviveu ao acidente, mas acabou perdendo seu braço esquerdo.

Embora existisse a dúvida sobre a capacidade de Rick Allen em tocar o instrumento, o Def Leppard nunca pensou em substituir Rick e o deu forças para se recuperar e voltar  a tocar.

Rick, então, começou a desenvolver técnicas em que certos movimentos feitos com o braço esquerdo fossem substituídos por movimentos com as pernas. Em parceria com a Empresa Simmons, desenvolveu um kit de bateria eletrônica em que Allen poderia atuar. Sua volta ocorreu no Monsters Of Rock de 1986, em Donnington Park, na Inglaterra.

Embora tenha caminhado lentamente nas gravações do álbum, a banda continuava compondo. Surpreendentemente, “Mutt” Lange volta para produzir o álbum e Rick Allen começa a gravar suas partes no álbum. Entretanto, a gravação ainda iria atrasar mais um pouco devido ao vocalista Joe Elliott ter contraído caxumba e ficado impossibilitado de finalizar as gravações.

A técnica utilizada para a gravação do álbum teve cada um dos músicos tocando cada uma das faixas separadamente, ao invés de todos tocá-las juntos. Enquanto algumas faixas foram rapidamente escritas e gravadas outras, como “Animal”, levaram quase os três anos para surgirem com a versão final.

“Mutt” Lange queria que o álbum Hysteria fosse a versão Hard Rock do álbum Thriller, de Michael Jackson, ou seja, que todas as faixas tivessem potencial para serem ‘hits’. Em parte, Lange alcançou seu objetivo.

As gravações terminaram em janeiro de 1987, mas “Mutt” Lange levaria ainda mais três meses para mixar o álbum.

Na época de seu lançamento, Hysteria foi o álbum de Rock mais longo a ser lançado, com um tempo total de 62 minutos e 52 segundos.

A arte da capa foi desenvolvida pelo artista Andie Airfix, que faria outras capas para a banda. O nome Hysteria foi sugerido pelo baterista Rick Allen, sintetizando o período de seu acidente e sua recuperação em associação com a cobertura dada pela imprensa.

“Women” é a faixa que abre o álbum e já apresenta a sonoridade que seria a aposta da banda para o álbum, um rock bem mais cadenciado, lento. Apresenta um riff bem simples, mas muito bom.

Foi o primeiro single lançado nos Estados Unidos, enquanto no resto do mundo o primeiro single foi “Animal”. “Women” é uma ótima faixa, com ótimo ritmo, mesmo sendo simples, possui bons solos.

Na parada de singles dos Estados Unidos, atingiu a posição número oitenta. O seu lado B, “Tear It Down” foi relançada no álbum Adrenalize, de 1992.

“Rocket” é a segunda faixa do álbum. Segue a mesma sonoridade da faixa anterior, embora seja um pouco mais agitada. Possui bons vocais de Joe Elliott, como de costume. Foi o último single retirado de Hysteria.

Assim como em “Women”, também foi filmado um videoclipe para a música. Enquanto single, foi bem melhor sucedida que a faixa anterior na parada norte-americana, alcançando a 12ª posição.

A terceira faixa acabou se tornando um dos grandes sucessos da banda, a música “Animal”. Conforme escrito anteriormente, a faixa durou quase três anos para ser finalizada e entrar no álbum Hysteria.

Ela segue a mesma sonoridade das faixas anteriores, embora seja ainda mais cadenciada, aumentando o ritmo no refrão, este sendo bem forte. O solo no meio da faixa é bom.

“Animal” também foi lançada como single e foi o primeiro a fazer sucesso no Reino Unido, alcançando a sexta posição na parada do país. Apesar de todo sucesso do álbum anterior, Pyromania, nos Estados Unidos, o Def Leppard ainda não havia obtido sucesso em casa.

“Animal” também possui videoclipe, sendo que à época ficou entre os mais exibidos nos Estados Unidos. Na parada norte-americana de singles, alcançou a 19ª posição.

“Love Bites” é mais um grande sucesso do álbum Hysteria e do Def Leppard. É uma balada das mais lentas e que possui aqueles refrãos bem ‘grudentos’. Mas é uma faixa cheia de feeling e sentimento. O destaque da faixa é mesmo da atuação do vocalista Joe Elliott, que imprime bastante emoção à música.

Também para “Love Bites” foi gravado um videoclipe e lançada no formato de single e todos os lançamentos fizeram muito sucesso.

Na Inglaterra o single atingiu a 11ª posição e nos Estados Unidos foi além, atingindo a primeira posição em 1988. Até hoje é o único single do Def Leppard a realizar tal feito. Claro, fato que alavancou as vendas de Hysteria nos Estados Unidos.

A próxima canção é “Pour Some Sugar On Me”. É uma faixa com mais peso que as anteriores e com mais semelhanças aos álbuns anteriores. Foi composta a partir de um riff que Joe Elliott ficava tocando nos estúdios e “Mutt” Lange sugeriu algumas adaptações, para que fosse uma faixa para “despertar o interesse de quem conhecia o Pyromania”.

Lançada como single, também, alcançou a segunda posição nos Estados Unidos e a 18ª posição no Reino Unido. Foi um dos vídeos mais pedidos da MTV americana em 1988. É uma ótima faixa.

“Armageddon It” é uma faixa típica de Hard Rock, com um ótimo riff que se estende por toda a faixa. Nesta faixa as guitarras aparecem com um pouco mais de força, ficando com uma sonoridade mais ‘pop’ na ponte que leva ao refrão. Mesmo assim é uma boa canção.

Adivinhe? Isso mesmo, foi lançada como single e gravado videoclipe, só para variar um pouco. No Reino Unido alcançou a 20ª posição e nos Estados Unidos foi bem melhor, ficando na terceira. O videoclipe foi retirado de um show da banda em 1988.

“Gods Of War” é mais uma canção que ficou famosa no álbum Hysteria. Ela contém uma mensagem anti-guerra e, especialmente, contra as idéias do presidente americano Ronald Reagan. Embora não foi lançada como single, possui videoclipe. É mais pesada, uma das melhores do álbum.

Outro destaque do álbum é a música homônima ao álbum, “Hysteria”. É uma boa balada, repleta de ritmo, com ótimos vocais por parte de Joe Elliott. O refrão é ótimo.

Foi mais um single retirado do álbum e que atingiu excelente posição na parada dos Estados Unidos (décima posição). Também possui videoclipe para promover o álbum. Foi a terceira faixa do disco a ser lançada como single.

Com base em tantos singles bem sucedidos não é difícil deduzir que o álbum Hysteria foi um sucesso absoluto. Foi o álbum responsável por trazer o sucesso para a banda em sua terra natal, o que era tão desejado pelo Def Leppard. Hysteria conseguiu atingir a primeira posição na parada de álbuns tanto nos Estados Unidos quanto no Reino Unido. E permaneceu na parada de álbuns americana por três anos consecutivos em posições ‘Top 40’.

É um dos pouquíssimos álbuns a terem sete singles retirados de suas faixas e estes entrarem em posição ‘Top 100’ na parada americana (Billboard). Já vendeu mais de 20 milhões de cópias pelo mundo.

Após isso a banda se lançou em uma grande turnê muito bem sucedida de 15 meses. No encarte, a banda pede desculpas aos fã por ter demorado tanto tempo a lançar um novo álbum após Pyromania e prometia não repetir o fato.

Entretanto, uma série de motivos, entre eles a morte do guitarrista Steve Clark, não permitiu que o novo álbum fosse lançado antes de março de 1992, quase cinco anos após Hysteria.

Formação:
Joe Elliott – Vocal
Steve Clark – Guitarras
Phil Collen – Guitarras
Rick Savage – Baixo
Rick Allen – Bateria

Faixas:
01. Women (Clark/Collen/Elliott/Lange/Savage) - 5:41
02. Rocket (Clark/Collen/Elliott/Lange/Savage) - 6:37
03. Animal (Clark/Collen/Elliott/Lange/Savage) - 4:02
04. Love Bites (Clark/Collen/Elliott/Lange/Savage) - 5:46
05. Pour Some Sugar on Me (Clark/Collen/Elliott/Lange/Savage) - 4:25
06. Armageddon It (Clark/Collen/Elliott/Lange/Savage) - 5:21
07. Gods of War (Clark/Collen/Elliott/Lange/Savage) - 6:37
08. Don't Shoot Shotgun (Clark/Collen/Elliott/Lange/Savage) - 4:26
09. Run Riot (Clark/Collen/Elliott/Lange/Savage) - 4:39
10. Hysteria (Clark/Collen/Elliott/Lange/Savage) - 5:54
11. Excitable (Clark/Collen/Elliott/Lange/Savage) - 4:19
12. Love and Affection (Clark/Collen/Elliott/Lange/Savage) - 4:37

Letras:
Para o conteúdo das letras, recomendamos o acesso a: http://letras.terra.com.br/def-leppard/

Opinião do Blog:
Quando o Def Leppard surgiu, foi amplamente associado ao movimento New Wave Of British Heavy Metal e, ao ouvirmos os álbuns On Through The Night (1980) e High ‘n’ Dry (1981), isto não é nenhum absurdo.

Hysteria em nada tem em comum com estes lançamentos anteriores, somente o fato de ser a mesma banda. Nem mesmo Pyromania, de 1983, que já apresentava uma sonoridade diferente, assemelha-se ao álbum em análise.

Se você gosta somente de Heavy Metal e de uma sonoridade mais pesada, passe bem longe de Hysteria, pois não há nada neste álbum que chegue próximo a este tipo de som. Já se você for mais eclético, vale à pena se arriscar.

Nenhum álbum tem sete singles tão bem sucedidos e alcança a primeira posição nas principais paradas de sucesso impunemente, ainda mais quando se trata de álbuns de rock. As composições são muito bem feitas, com muito feeling, muito sentimento e de bom gosto.

O fator humano não pode ser desconsiderado. Após tudo o que a banda passou e, especialmente, o baterista Rick Allen, lançar um álbum que fez tanto sucesso é uma vitória para a banda e ainda mais para o baterista.

Para quem curte um rock com uma boa veia pop, o álbum é indicado. Caso contrário, melhor não se aproximar.

Vídeos Recomendados:

Women, ao vivo


Animal


Love Bites


Hysteria, ao vivo


Sugestões, Críticas e Contatos: rockalbunsclassicos@hotmail.com

29 de julho de 2011

VAN HALEN - VAN HALEN (1978)



Van Halen, ou I, é o álbum de estreia da banda norte-americana de Hard Rock homônima, ou seja, o Van Halen. Ele foi oficialmente lançado em 10 de fevereiro de 1978 e a produção do álbum ficou a cargo de Ted Templeman (que trabalharia mais vezes com a banda). Foi gravado entre setembro e outubro de 1977 no Sunset Sound Recorders Studio, em Holywood, Califórnia, nos Estados Unidos.

Eddie Van Halen e Alex Van Halen são dois irmãos holandeses que nasceram em Nijmegen, Holanda, filhos do músico Jan Van Halen, que incentivou os filhos a terem aulas de música desde cedo. Eddie tinha aulas de piano clássico e mais tarde de bateria e Alex treinava guitarra. Entretanto, diversas vezes Eddie pegou Alex treinando em sua bateria e resolvia, então, tocar a guitarra de Alex. E nessa troca eles acabaram encontrando suas vocações.

Em 1972, os irmãos Van Halen formaram uma banda chamada Mammoth, que tinha como formação Eddie na guitarra e como vocalista, Alex na bateria e o baixista Mark Stone. Eles alugavam um sistema de som de um cara chamado David Lee Roth, e, para economizar dinheiro, resolveram adicionar Lee Roth como vocalista da banda, mesmo que suas audições anteriores para entrar na banda tenham sido mal sucedidas.

Em 1974, o baixista Mark Stone deixa a banda. Para substitui-lo, eles fazem uma audição com o baixista e vocalista Michael Anthony, de uma banda chamada Snake. Após a audição, Anthony é contratado e assume o baixo e os backing vocals.

Essa é a formação que se solidificaria. Também é considerada a formação clássica da banda e que permaneceu a mesma até 1984.

Ainda em 1974 a banda muda o nome para Genesis, mas descobre que este nome já era usado por outra banda. Então, seguindo a sugestão de David Lee Roth, a banda muda seu nome para Van Halen. Segundo Roth, o nome Van Halen seria um nome muito forte, como era o nome Santana (da banda do guitarrista Carlos Santana).

A banda começa a tocar em escolas e festas e o seu público ia crescendo através de uma espécie de autopromoção. A própria banda ia para frente de escolas e distribuía panfletos promovendo as apresentações. Logo estariam começando a tocar em diferentes clubes noturnos de Los Angeles.

Assim, sob contrato com novos managers, Mark Algorri e Mario Miranda, a banda grava sua primeira fita demo e passa a ser o nome mais forte da cena musical de Los Angeles no circuito de clubes noturnos. Em uma dessas apresentações, o DJ Rodney Bingenheimer de uma famosa rádio de Los Angeles, fica impressionado com a banda e indica a Gene Simmons, baixista do KISS, para assisti-los.

Assim, Gene produz uma demo do Van Halen e sugere que a banda mude seu nome para “Daddy Longlegs”, mas a proposta é recusada pela banda. A demo continha uma versão de “Runnin’ With The Devil” e não foi muito bem sucedida. E seu envolvimento com o Van Halen termina por aí.

Mas a sorte do Van Halen começou a mudar quando Mo Ostin e Ted Templeman assistem à banda se apresentar no clube Starwood, em Holywood, na Califórnia. Mesmo com um público bem pequeno, eles ficaram bastante impressionados com a banda e ofereceram um contrato com a Warner Brothers Records para a gravação de um álbum. Este álbum foi o Van Halen!

A capa do álbum apresenta os quatro músicos da banda em fotografias retiradas de uma apresentação da banda no clube noturno Whiky a Go Go, em Holywood, na Califórnia. Nela, Eddie Van Halen está com sua famosa guitarra Frankenstrat, que foi construída na garagem da casa de seus pais.

“Runnin’ With The Devil” é a faixa que abre o álbum. Ela se inicia apresentando um clássico riff no melhor estilo de Eddie Van Halen. Os vocais de David Lee Roth variam em tons mais baixos a gritos mais altos e combinam muito bem com a alteração de ritmos da faixa.

O solo feito por Eddie é dos melhores, com muito feeling. Destaque também para a bateria de Alex, simples, mas precisa. A faixa foi inspirada pela música “Runnin’ From The Devil”, de uma banda de R&B chamada The Ohio Players.

Foi considerada por uma eleição do canal VH1 a 9ª melhor música de Hard Rock de todos os tempos, em 2009.

“Eruption” é a segunda faixa do álbum. Na verdade essa é uma faixa instrumental, um solo escrito e tocado pelo guitarrista Eddie Van Halen. Muito frequentemente é considerado um dos melhores solos de guitarra de todos os tempos.

A técnica usada por Eddie Van Halen para tocar parte de “Eruption”, conhecida como  two-handed tapping, foi popularizada a partir desta canção e foi infinitamente usada por toda a década de oitenta.

O Van Halen nem considerava usar “Eruption” como uma faixa para seu álbum de abertura. Ela era (e ainda é) usada como uma abertura para tocar “You Really Got Me” nas apresentações da banda.

Mas certa vez Eddie estava a ensaiando no estúdio e o produtor Ted Templeman a gravou e a colocou no álbum. Em entrevistas posteriores Eddie chegou a afirmar que nem sequer a versão de “Eruption” presente no álbum era a melhor, pois há um ‘erro’ no final da faixa. Disse também que se soubesse que ela seria incluída no álbum teria feito bem melhor.

Assim como nos shows da banda, também no álbum após “Eruption” está “You Really Got Me”, terceira faixa do álbum Van Halen. Trata-se na realidade de um cover que a banda fez da versão original escrita por Ray Davies para sua banda The Kinks.

Dave Davies, um dos membros do The Kinks, odiou a versão feita pelo Van Halen. Chegou a afirmar que o Van Halen não seria a banda que foi sem “You Really Got Me”. Fato é que a faixa foi propulsora da carreira de ambas as bandas, tanto da banda The Kinks, em 1964, quanto do Van Halen em 1978. Mas apesar da polêmica, quem compôs a música, Ray Davies, gostou da versão do Van Halen.

Lançada como single, “You Really Got Me” chegou à posição 36 na parada dos Estados Unidos.

Outra ótima faixa do álbum é “Ain’t Talkin’ ‘Bout Love”. A faixa tem um dos melhores e mais conhecidos riffs da carreira de Eddie Van Halen. Outro destaque da faixa é a atuação do vocalista David Lee Roth, perfeita para a canção. O solo principal da faixa é ótimo.

Há relatos de que quando Eddie compôs a música, cerca de um ano antes da gravação do álbum, ele não a considerou boa suficiente para a presentar aos seus companheiros de banda.

A música foi lançada como single, mas não obteve muito sucesso. Entretanto, hoje é reconhecida como uma das melhores músicas da banda.

Bandas como Velvet Revolver e Pearl Jam já fizeram versões cover da faixa em apresentações. E o ex-vocalista do Iron Maiden, Paul Di’Anno, gravou a versão que consta do álbum tributo ao Van Halen.

Outra curiosidade sobre “Ain’t Talkin’ ‘Bout Love” é que a música é tocada nos jogos do time de futebol americano New England Patriots quando está defendendo, para motivá-los a fazer uma interceptação ou recuperar a bola roubando-a (fumble).

“I’m The One” é uma faixa com um riff bem rápido e pesado do álbum. Lee Roth abusa dos gritos e faz um bom trabalho. É uma faixa que resume bem a sonoridade que a banda faria até a saída de Lee Roth do grupo.

“Jamie’s Cryin’” é outra ótima faixa do álbum. Diferente das anteriores, ela é bem mais cadenciada, mas também possui um riff bem marcante.

Quando a banda foi gravá-la, David Lee Roth queria estar com a voz bem limpa, para casar melhor com o estilo da canção. Então ficou mais de semana sem beber e fumar antes de gravá-la. Entretanto, a voz limpa do vocalista desagradou bastante o produtor Ted Templeman, que mandou Roth sair do estúdio e fumar um cigarro para ‘recuperar’ sua rouquidão característica. Roth fumou o cigarro e, para ‘ajudar’, bebeu meia garrafa de uísque. Voltou aos estúdios e gravaram a versão constante no álbum.

“Atomic Punk” é uma canção de riff bem veloz e conta com ótimo solo de Eddie. Destaque total para a guitarra nesta faixa. “Feel Your Love Tonight” já é mais cadenciada, bem ao estilo de “Jamie’s Cryin’”. A atuação de Roth é ótima e o refrão é ‘pegajoso’. Ótima faixa.  “Little Dreamer” é ‘quase’ uma balada, pois possui um ritmo mais lento, com ótimo trabalho de baixo e bateria. A guitarra de Eddie é marcante, mas o maior destaque é para a atuação de Roth, talvez a melhor no álbum.

“Ice Cream Man” é um cover da música de John Brim, um guitarrista de blues. A faixa é ótima, com uma levada bem calma no início, acústica, e se transforma em um blues rock formidável, com excelente destaque para a guitarra de Eddie em um verdadeiro show. “On Fire” é a faixa que fecha o álbum, mais uma música que possui um riff marcante, pesado e veloz de Eddie Van Halen.

O álbum atingiu a ótima 19ª posição na parada americana após seu lançamento e continua sendo um dos mais bem sucedidos álbuns de estreia de bandas de Rock. Até hoje, estima-se que o álbum vendeu mais de 10 milhões de cópias.

Para promoção de Van Halen, o grupo saiu em turnê como banda de abertura do Black Sabbath, na qual ficou famosa pelo poderio de suas apresentações, contando com o talento quase inigualável de seu guitarrista Eddie e nas atuações performáticas de seu vocalista David Lee Roth.

Ainda em 1978 a banda voltaria aos estúdios para gravar seu segundo álbum de estúdio, o Van Halen II.

Formação:
David Lee Roth – Vocal, Violão em "Ice Cream Man"
Eddie Van Halen – Guitarra, Backing Vocals
Michael Anthony – Baixo, Backing Vocals
Alex Van Halen – Bateria

Faixas:
01. Runnin' with the Devil (E. Van Halen/A. Van Halen/Anthony/Roth) - 3:36
02. Eruption (Instrumental) (E. Van Halen/A. Van Halen/Anthony/Roth) - 1:43
03. You Really Got Me (Ray Davies) - 2:38
04. Ain't Talkin' 'bout Love (E. Van Halen/A. Van Halen/Anthony/Roth) - 3:50
05. I'm the One (E. Van Halen/A. Van Halen/Anthony/Roth) - 3:47
06. Jamie's Cryin' (E. Van Halen/A. Van Halen/Anthony/Roth) - 3:31
07. Atomic Punk (E. Van Halen/A. Van Halen/Anthony/Roth) - 3:02
08. Feel Your Love Tonight (E. Van Halen/A. Van Halen/Anthony/Roth) - 3:43
09. Little Dreamer (E. Van Halen/A. Van Halen/Anthony/Roth) - 3:23
10. Ice Cream Man (John Brim) - 3:20
11. On Fire (E. Van Halen/A. Van Halen/Anthony/Roth) - 3:01

Letras:
Para o conteúdo das letras, recomendamos o acesso a: http://letras.terra.com.br/van-halen/

Opinião do Blog:
O álbum de estreia do Van Halen já valeria somente pelo fato de ser o debut de um dos melhores guitarristas da história do Rock: Eddie Van Halen!

Mas não é apenas isto. O mais impressionante de Eddie é que ele não usa a banda apenas como um apoio para suas exibições nas seis cordas. Eddie é um ótimo compositor, pois sempre criou belas melodias, riffs poderosos e solos muito inspirados. Mais ainda, o guitarrista sempre usou o seu talento em prol da música da banda.

Faixas como “Runnin’ With The Devil” e “Ain’t Talkin’ ‘Bout Love” são grandes clássicos do Hard Rock, empolgantes e que influenciaram diversas bandas oitentistas do estilo. Sem falar em “Eruption”, um solo sensacional.

Se você ainda não ouviu este álbum, não sabe o que está perdendo. Pena que hoje em dia o Van Halen seja uma banda muito mais famosa por suas polêmicas que pela excelente música que fez, especialmente no fim da década de setenta e nos anos oitenta.

Banda obrigatória para qualquer fã de Rock.

Vídeos Recomendados:


Runnin' With The Devil


Eruption, ao vivo em 1984


Ain't Talkin' 'Bout Love, ao vivo


You Really Got Me, ao vivo em 1983


28 de julho de 2011

PINK FLOYD - WISH YOU WERE HERE (1975)



Wish You Were Here é o nono álbum de estúdio da banda inglesa de Rock Progressivo chamada Pink Floyd. O lançamento do álbum ocorreu em 12 de setembro de 1975 e a produção ficou sob a responsabilidade da própria banda. A gravação ocorreu de janeiro a julho de 1975 no Abbey Road Studios, em Londres, na Inglaterra.

26 de julho de 2011

DEEP PURPLE - IN ROCK (1970)



In Rock é o quarto álbum de estúdio da banda de Hard Rock inglesa chamada Deep Purple. Ele foi lançado oficialmente no dia 3 de Junho de 1970 e a produção ficou a cargo da própria banda. Foram utilizados os estúdios IBC, De Lane Lea e o famoso Abbey Road Studios, em Londres, na Inglaterra. As gravações ocorreram de agosto de 1969 a maio de 1970.

No início de 1969, o Deep Purple era formado pelo guitarrista Ritchie Blackmore, o tecladista Jon Lord, o baterista Ian Paice, o vocalista Rod Evans e o baixista Nick Simper. Com esta formação a banda gravou seus três primeiros álbuns de estúdio.

O Deep Purple excursionou bastante pelos Estados Unidos para promover os três primeiros álbuns que tiveram relativo sucesso por lá. No início de 1969 a banda volta para a Inglaterra e grava um single chamado “Emmaretta”, que teve seu nome baseado em Emmaretta Marks, que tomava parte em um musical chamado Hair e a quem o vocalista Rod Evans tentava seduzir.

“Emmaretta” foi a última gravação do Deep Purple a conter o vocalista Rod Evans e o baixista Nick Simper antes de suas demissões. Blackmore passa a procurar um novo vocalista e se interessa por Terry Reid, que havia rejeitado uma proposta do Led Zeppelin um ano antes. Mesmo considerando a proposta atraente, Reid estava mais focado no lançamento de sua carreira solo.

Então Blackmore voltou sua atenção para o vocalista da banda Episode Six, a qual havia lançando vários singles no Reino Unido, mas sem obter o sucesso desejado. O baterista do Episode Six era Mick Underwood, um velho amigo do guitarrista do Purple Ritchie Blackmore. Underwood apresentou ao Deep Purple o vocalista de sua banda. Seu nome era Ian Gillan.

Não apenas o vocalista do Episode Six despertou o interesse de Blackmore, mas também o baixista da banda, chamado Roger Glover. Os dois, então ingressam o Deep Purple e acabam por ‘matar’ o Episode Six.

Assim o Deep Purple passa a ter sua formação da seguinte forma: o guitarrista Ritchie Blackmore, o tecladista Jon Lord, o baterista Ian Paice, o baixista Roger Glover e o vocalista Ian Gillan. Esta formação é conhecida pelos fãs como MK II e foi a mais clássica da história da banda.

O próximo trabalho da banda com a nova formação foi o single “Hallelujah”, com pouca repercussão. O trabalho seguinte traria fama ao grupo, mas criaria certa polêmica. Concerto For Group And Orchestra, de 1969, foi uma obra em três atos composta por Jon Lord como um projeto solo, mas que a banda acabou topando em realiza-la com a Royal Philharmonic Orchestra, de Londres, com a condução de Malcolm Arnold. Ian Gillan escreveu as letras para o álbum.

Foi uma das primeiras ações de um grupo de rock trabalhando com uma orquestra. O lançamento deu publicidade para o Deep Purple, mas que acabou sendo conhecida como “a banda que tocou com a orquestra”. Isto deixou Gillan e Blackmore bastante insatisfeitos, pois eles desejavam direcionar a banda para um estilo calcado no Hard Rock.

Para reforçar isso, a banda lança o single “Black Night”, um grande sucesso que traz uma das faixas mais históricas da banda, presença obrigatória nos shows. “Black Night”, uma canção bem ao estilo Hard Rock desejado por Gillan e Blackmore, alcança a segunda posição na parada britânica de singles.

Para aproveitar o sucesso de “Black Night”, era a hora de se lançar um álbum forte o suficiente para projetar a banda. Havia chegado a hora de In Rock.

A arte da capa foi inspirada pela imagem do Monte Rushmore, perto de Keystone, em Dakota do Sul, nos Estados Unidos. Na capa, as faces dos presidentes norte-americanos foram substituídas pelas faces dos membros da banda com o acréscimo de uma, logicamente.

A sonoridade da banda é consideravelmente diferente daquela apresentada nos três primeiros trabalhos de estúdio. A começar pelo entrosamento entre os teclados de Jon Lord e a guitarra de Ritchie Blackmore. A seção rítmica também melhorou incrivelmente com a presença do ótimo Roger Glover, com seu estilo se adequando perfeitamente com o de Ian Paice. E, com todo respeito a Rod Evans, não há comparação entre ele e a atuação de Ian Gillan.

O órgão ‘distorcido’ de Jon Lord começa a atuar mais significativamente a partir de In Rock e o Deep Purple passa a construir uma identidade musical única, que a diferenciava das outras bandas da época.

A ótima “Speed King” abre o álbum, mostrando a fúria e o desejo da dupla Gillan e Blackmore de construírem uma sonoridade mais pesada. O riff é excepcional, a música é rápida e marcante, contando com um show de Gillan nos vocais.

A canção apresenta um ótimo exemplo de que improviso durante a gravação no estúdio pode sim ter um bom resultado. As letras foram escritas por Ian Gillan que as escreveu misturando algumas letras de músicas de Elvis Presley, Little Richard e Chuck Berry, conforme iam aparecendo em sua cabeça. A canção é uma grande homenagem aos pais do rock and roll.

Foi sempre presença marcante nos shows da banda com a formação MK II, especialmente no ‘bis’. Mas não esteve tão presente com outras formações da banda.

A segunda faixa do álbum é a também muito boa “Bloodsucker”. É outra faixa bem no estilo Hard Rock que o Deep Purple consagraria no decorrer dos anos setenta. No meio da música há uma ótima combinação entre Blackmore e Lord e os vocais de Gillan se apresentam em ótima sintonia com a faixa.

A terceira faixa do álbum é a épica “Child In Time”, canção com mais de dez minutos de duração. Uma das mais incríveis músicas da discografia do Deep Purple.

A inspiração para a parte musical da faixa veio de uma outra canção chamada “Bombay Calling”, de uma banda de rock psicodélico chamada It’s Beautiful Day. Certa vez Ian Gillan ouviu Jon Lord tocando esta música em seu órgão Hammond e Gillan disse que poderiam construir uma canção em torno daquela sonoridade.

Lord trabalhou nisto e, paralelamente, Blackmore foi criando uma nova sonoridade para a faixa a partir de sua guitarra. O guitarrista que quase sempre utilizava uma Fender Stratocaster, gravou a faixa com uma Gibson ES-335.

Liricamente, a inspiração de Ian Gillan foi a guerra fria e o momento sombrio que o mundo passava durante aqueles tempos da disputa entre Estados Unidos e União Soviética. Isso se reflete na faixa, com a parte mais calma sendo dominada pelos teclados de Lord e a voz quase sussurrante de Gillan que posteriormente evoluem para a dominância da guitarra de Blackmore com gritos angustiantes de Gillan. O solo é excepcional.

O guitarrista Ingwie Malmsteen fez um ótimo cover desta música. “Child In Time” foi presença marcante nos shows da fase inicial do Deep Purple, mas depois foi desaparecendo do set list, pois o avançar da idade de Ian Gillan aumentou consideravelmente a dificuldade de cantá-la ao vivo.

A faixa também foi trilha sonora de alguns documentários e filmes e a introdução de teclado de Jon Lord foi usada em diferentes oportunidades por diferentes músicos.

“Flight Of The Rat” é um hard rock com quase oito minutos de duração e possui um excelente riff de Blackmore. A música possui dois grandes solos, um executado por Lord e o outro por Blackmore, sendo ambos muito bons, com muito feeling. Era raramente tocada ao vivo.

“Into The Fire” possui um riff inicial muito marcante que acabe se estendendo por toda a música. A forma com que Ian Gillan canta a música combina de forma perfeita com a faixa, ficando de maneira contagiante. O solo de Blackmore é excelente, tocado de maneira mais lenta, esbanja feeling. Ótima faixa!

“Living Wreck” inicia com destaque para o ótimo baterista Ian Paice, tocando de maneira bem simples. A faixa foi lançada como lado B do single “Black Night” no Reino Unido e foi raramente tocada ao vivo. O refrão é cantado de maneira muito bonita, com sentimento.

Fecha o álbum a ótima “Hard Lovin’ Man”.  A canção se inicia com Roger Glover fazendo uma linha de baixo simples que é rapidamente marcada pelo riff furioso de Blackmore e pelos teclados de Lord. Nesta canção novamente Lord e Blackmore fazem seus solos separadamente. Inclusive, Lord considera este seu melhor solo nas gravações de estúdio do Deep Purple. Destaque para os vocais de Gillan, ótimos.

O álbum fez muito sucesso na Europa, alcançando a quarta posição na parada de sucessos britânica.

Após o lançamento do álbum, o Deep Purple começou uma extensa turnê para promove-lo, a “In Rock World Tour”, que duraria cerca de quinze meses. Relançamentos posteriores do álbum incluem “Black Night” como faixa adicional, lembrando que esta não estava inclusa no álbum original.

Formação:
Ian Gillan – Vocal
Ritchie Blackmore – Guitarra
Roger Glover – Baixo
Jon Lord – Teclado
Ian Paice – Bateria

Faixas:
01. Speed King (Gillan/Blackmore/Glover/Lord/Paice) - 5:49
02. Bloodsucker (Gillan/Blackmore/Glover/Lord/Paice) - 4:10
03. Child in Time (Gillan/Blackmore/Glover/Lord/Paice) - 10:14
04. Flight of the Rat (Gillan/Blackmore/Glover/Lord/Paice) - 7:51
05. Into the Fire (Gillan/Blackmore/Glover/Lord/Paice) - 3:28
06. Living Wreck (Gillan/Blackmore/Glover/Lord/Paice) - 4:27
07. Hard Lovin' Man (Gillan/Blackmore/Glover/Lord/Paice) - 7:11

Letras:
Para acesso ao conteúdo das letras, recomendamos o acesso a: http://letras.terra.com.br/deep-purple/

Opinião do Blog:
In Rock é o álbum do Deep Purple que apresentou ao mundo sua sonoridade mais característica, da forma como ficou conhecida mundialmente. O álbum é um dos pilares do Hard Rock moderno.

Das bandas antigas de Hard Rock e Heavy Metal, a marca registrada do Deep Purple eram os teclados de Jon Lord, sempre tocados com muita inspiração e ótima qualidade, notadamente se comparada aos contemporâneos do Black Sabbath e Led Zeppelin, que não possuíam teclados.

Também a forma como Ritchie Blackmore tocava sua guitarra influenciou muitos guitarristas que surgiram depois. Riffs velozes e precisos e solos muito inspirados, com muito sentimento, esbanjando feeling.

In Rock tem muito de tudo isto em faixas rápidas como “Speed king” e “Into The Fire”. Mas o grande clássico é inegavelmente “Child In Time”, para este blog, uma das melhores canções de todos os tempos, repleta de sentimento, mudanças de ritmos e uma interpretação vocal de Ian Gillan memorável.

Assim, In Rock é mais um álbum clássico extremamente recomendado pelo blog.

Vídeos Recomendados:

Child In Time


Speed King


Into The Fire