17 de outubro de 2011

AC/DC - BACK IN BLACK (1980)



Back In Black é o sexto álbum de estúdio da banda australiana de rock AC/DC. Seu lançamento oficial ocorreu no dia 25 de julho de 1980 e a produção ficou sob responsabilidade de John “Mutt” Lange. As gravações aconteceram entre abril e maio daquele ano no Compass Point Studios, nas Bahamas.

Em 1979, o AC/DC havia gravado e lançado seu álbum mais bem sucedido até então, Highway To Hell. Tanto o sucesso de crítica quanto junto ao público, acabou por abrir as portas dos Estados Unidos para a banda, enfim, obter reconhecimento mundial.

Já no início de 1980, o AC/DC iniciava o processo de composição para seu novo álbum. Mas tudo seria modificado em 19 de fevereiro daquele ano.

Na fatídica noite, Bon Scott saiu com um conhecido, Alistair Kinnear, para um clube noturno de Londres chamado Music Machine, no qual viraram a noite bebendo pesadamente. No final da noitada, Kinnear colocou Scott no banco de trás de seu automóvel e dirigiu até sua casa, na 67 Overhill Road, em East Dulwich, sul de Londres.

Incapaz de retirar Bon do veículo, Kinnear o deixou dormindo no banco de trás do automóvel durante o restante da noite. No outro dia, quando acordou, foi de encontro ao automóvel e o que achou foi um Scott inconsciente e sem vida, avisando assim as autoridades, que ao atenderem o vocalista, mais nada poderiam fazer. Ele ainda foi levado ao  King's College Hospital, mas foi declarado morto já na chegada.

Oficialmente, a causa da morte de Bon Scott foi envenenamento agudo por álcool (muito possivelmente pela aspiração do próprio vômito) e “morte por desventura”.  Teorias da Conspiração surgiram sobre a morte de Scott, sugerindo que poderia ter sido sua bebida envenenada propositalmente, ou que teria sido envenenado por gases tóxicos no veículo e até mesmo que Kinnear nem sequer existe.

Fato é que Scott era asmático e na manhã de sua morte a temperatura estava extremamente baixa. Ozzy Osbourne afirmou em um documentário que a morte de Scott, que o chocou bastante, foi por hipotermia.

Bon Scott:



Na realidade, no dia 19 de fevereiro de 1980, o Rock and Roll perdeu uma de suas mais carismáticas, queridas e talentosas figuras. Aos 33 anos, Bon Scott deixava uma carreira bastante curta, mas de profundo impacto.

O AC/DC perdia seu vocalista, principal letrista e um grande amigo. O corpo de Scott foi cremado e suas cinzas foram sepultadas na cidade de Fremantle, na Austrália, onde ele viveu quando chegou ao país com sua família.

Após a morte de Scott, a banda considerou a possibilidade de encerrar as suas atividades. Entretanto, a mesma concluiu que Bon iria gostar de que eles continuassem seguindo em frente e, com as bênçãos da família de Scott, começaram a busca por um novo vocalista.

Alguns dos nomes testados para a posição foram Buzz Shearman, ex-Moxy; Terry Slesser, ex-Back Street Craw; e o vocalista da banda Slade, Noddy Holder, também chegou a ser cogitado.

Há uma lenda que um fã do AC/DC enviou à banda uma fita cassete com gravações de uma banda chamada Geordie, sugerindo que o substituto ideal de Bon Scott seria o vocalista desta banda, um inglês chamado Brian Johnson.

Em entrevista anos mais tarde, Angus Young afirmou que a primeira vez que havia ouvido falar em Brian Johnson foi através do próprio Bon Scott. Scott havia assistido a um show da banda Geordie, na Inglaterra, e teria ficado encantado com o vocalista, Johnson, comparando-o ao seu grande ídolo (de Scott), Little Richard. Angus disse que a escolha natural dele e de Malcolm para o lugar de Scott seria mesmo Brian Johnson.

Diz a lenda que Johnson se atrasou cerca de duas horas para seu teste, pois ficou jogando sinuca com a equipe de apoio do AC/DC. Angus teria dito que: “pelo menos ele gosta de sinuca”. Em seu teste ele cantou o clássico “Whole Lotta Rosie” e também "Nutbush City Limits", da Tina Turner. Teria sido a primeira vez que a banda sorriu após semanas. Johnson foi escolhido e, com o passar do tempo, revelou-se a escolha perfeita para a banda.

Já com Johnson efetivado para o cargo de vocalista, a banda embarca para as Bahamas a fim de compor e gravar o seu próximo álbum de estúdio, Back In Black.

Brian Johnson:


O álbum se revelou uma grande homenagem para o vocalista falecido, a começar com sua capa totalmente negra, em clara demonstração do luto pelo qual os membros remanescentes passavam. A gravadora inicialmente rejeitou a ideia, mas acabou a aceitando com o tempo.

Durante as gravações, sob a responsabilidade do produtor ‘Mutt’ Lange, o qual havia trabalhado com a banda em seu trabalho anterior, o clássico Highway To Hell, de 1979, o grupo sofreu com as terríveis tempestades que castigavam as ilhas caribenhas na época. Como veremos a seguir, as tormentas serviriam de inspiração para um dos maiores clássicos da história do Rock!

Os irmãos Young resolveram compor as canções, trabalhando em parte com o que havia sido começado no início de 1980, ainda com Bon Scott vivo.  Brian Johnson auxiliou compondo as letras do álbum.

HELLS BELLS

O álbum é aberto com badaladas de um sino. Inicialmente, ouvem-se quatro badaladas distintas e, que a partir de então, são acompanhadas por um dos mais incríveis riffs da história da música. Ao todo, treze badaladas, que, segundo Angus, seriam o anúncio da chegada de Scott ao inferno. Uma brincadeira, obviamente.

O riff que embala “Hells Bells”, composto por Angus Young, é um dos mais fantásticos de todo o Rock And Roll. Ele por si só já vale a canção, e, mesmo não sendo o caso, se esta fosse a única contribuição do mesmo ao AC/DC, os fãs já seriam eternamente gratos a ele por esta pequena obra-prima.

As letras são, também, muito felizes. Já na primeira noite nas Bahamas, Brian Johnson não conseguia dormir devido a uma terrível tempestade que assolava o arquipélago. Trovões, raios e uma chuva intensa atormentavam o britânico que, ‘aproveitando’ a insônia, escreveu as letras de “Hells Bells”.

Mas Johnson não contribuiu ‘apenas’ com as letras, dedicadas a Bon Scott. Sua interpretação é fundamental à atmosfera da canção, empregando à mesma um clima de tensão e suspense que são únicos. Absolutamente brilhante.

Destaque também para o solo da música, um dos melhores de toda a discografia do AC/DC. Angus faz um trabalho sensacional, integrando seu solo perfeitamente à estrutura da música como um todo.

“Hells Bells” atingiu a modesta 52ª posição da parada norte-americana de singles da Billboard. Mas se tornou presença mais que obrigatória nos shows da banda desde o lançamento do álbum Back In Black. Nas apresentações, um enorme sino aparece no palco e é tocado por Brian Johnson.



A canção se tornou música tema de clubes de futebol. Quando jogam em casa, o St. Pauli, da Alemanha, e o São Paulo Futebol Clube, do Brasil, a usam para a entrada dos times em campo. O mesmo ocorre na etapa Australiana do mundial de Surf, em Bells Beach. Também era usada para a entrada do jogador de Baseball Trevor Hoffman, do San Diego Padres.



SHOOT TO THRILL

Outro clássico eternizado do AC/DC está presente no álbum, “Shoot To Thrill”. Mantendo o forte ritmo iniciado em “Hells Bells”, a faixa também possui um ritmo muito intenso.

Outro riff excepcional embala “Shoot To Thrill”, mantendo-se constante por toda a canção. Mais uma vez Brian Johnson fez um excelente trabalho, tanto nas letras quanto em uma excelente interpretação na canção.

No meio da música, o forte riff dá lugar a uma passagem mais calma, com acompanhamento bem simples das guitarras, com ótima interpretação de Johnson nos vocais. Angus Young aparece outra vez bem inspirado nos solos.

“Shoot To Thrill” também é presença obrigatória nos shows da banda. Nos álbuns ao vivo da banda lançados após a entrada de Johnson na banda, todos contam versões ao vivo da canção, presença permanente no set list da banda.

Também é trilha sonora de diversos programas de televisão (no Brasil, do programa de TV CQC). Tornou-se também trilha sonora do filme Iron Man 2, contando com videoclipe para promoção do filme.



WHAT DO YOU DO FOR MONEY HONEY

Só para variar um pouco, os irmãos Young capricharam em mais um riff espetacular para esta ótima canção de Back In Black, “What Do You Do For Money Honey”. A terceira faixa do álbum não deixa o ritmo cair.

Se não se tornou um clássico absoluto da banda – talvez, por estar em um álbum que só contém músicas muito acima da média – a faixa é uma das melhores do grupo australiano. Mais uma vez Angus estava muito inspirado no solo e o refrão, embora somente repita o nome da canção, é muito empolgante.

A faixa entrou e saiu do set list da banda durante as turnês seguintes ao lançamento de Back In Black. Mas, seguramente, poderia ser presença mais constante nas apresentações ao vivo do AC/DC.



GIVIN THE DOG A BONE

Outra música empolgante do álbum é sua quarta faixa, “Givin The Dog a Bone”. Uma música que conta com um riff mais rápido, ritmo constante e ótimos vocais por parte de Brian Johnson.

Seu refrão é bem simples, como na faixa anterior, somente repetindo o nome da música, mas mesmo assim, novamente, funciona perfeitamente. Os solos de Angus Young também se casam de maneira excelente com a canção.

Mais uma faixa de qualidade indiscutível do álbum!



LET ME PUT MY LOVE INTO YOU

Uma música que aposta em um ritmo mais cadenciado, assim é a quinta faixa de Back in Black. Não falta peso à canção, que tem como base um riff lento, mas pesado. Um ótimo refrão e uma interpretação intensa de Brian Johnson são os pontos altos da música. O solo é, mais uma vez, ótimo.



BACK IN BLACK

Uma música para a eternidade. É assim que pode ser definida a faixa homônima ao álbum. Pouco mais de quatro minutos de absoluta inspiração.

A canção nasceu como um tributo a Bon Scott. De acordo com Brian Johnson, quando este foi escrever as letras, pensou que ao invés de escrever algo triste, deveria fazer uma celebração, pois este era o espírito de Scott em sua vida. E as letras refletem bem o espírito de vida do falecido vocalista.

O riff de “Back In Black” é, seguramente, dos mais conhecidos da história do Rock, mesmo que a pessoa não seja fã do estilo e não saiba nem de qual banda se trate, devido a extensa exposição que a música alcançou, nas mais diferentes mídias.

Um riff poderoso, excepcional, e uma interpretação intensa por parte de Johnson, a qual combina perfeitamente com o instrumental da canção criou um clássico absoluto da banda. Uma das mais incríveis canções da história do rock.

Os solos apresentam um Angus Young em seus melhores momentos em toda a discografia da banda. A base de Malcolm, como sempre, é muito competente e precisa. Até mesmo a seção rítmica faz um trabalho, mesmo simples, de muita qualidade.

“Back In Black” é presença obrigatória nos shows do AC/DC desde o lançamento do álbum. Assim, todos os registros ao vivo que surgiram depois de 1980 contém versões do hino. Em algumas turnês, foi a faixa de abertura das apresentações. Também, normalmente, o solo final é cortado nas versões ao vivo.

“Back In Black” foi um dos singles do álbum, não obtendo, de imediato, o reconhecimento que obteria com o decorrer dos anos. Alcançou a 37ª e a 51ª posições nas diferentes paradas de singles da Billboard nos Estados Unidos.



Há também um videoclipe oficial para a canção, retirado de uma série de gravações das canções do álbum que foram gravados na cidade de Breda, Holanda, logo após as gravações do álbum. O vídeo é simples, contando apenas com a banda tocando a canção.

O canal VH1 elegeu “Back In Black” como a 4ª melhor canção de Heavy Metal de todos os tempos e, o mesmo canal, a colocou na 2ª posição de melhor canção de Hard Rock, em 2009. A revista Rolling Stones posicionou a música como a 187ª melhor de todos os tempos e também como a 29ª na eleição “The 100 Greatest Guitar Songs of All Time”.

“Back In Black” possui muitas versões gravadas por outros artistas. Foi, também, diversas vezes ‘sampleada’ por músicos de diferentes vertentes e usadas em suas canções (por exemplo, Eminem). Também é possível vê-la em inúmeros filmes, seriados e comerciais.



YOU SHOOK ME ALL NIGHT LONG

A sétima faixa de Back In Black também acabou se tornando outro hino da banda e, certamente, outra de suas mais famosas (senão a mais) canções do AC/DC.

Apesar do riff marcante e estilisticamente característico da banda, a canção é ligeiramente diferente das demais presentes no álbum.  Embora não possa ser considerada uma balada, talvez seja a música que mais se aproxime de tal.

A faixa tem letras que retratam uma noite de amor com uma bela mulher. A inspiração para a criação da canção teria surgido na música “You Shook Me”, de Muddy Waters, um Blues no qual ele canta o verso “You Shook Me All Night Long”.

O refrão simples em que o nome da canção é repetido algumas vezes ainda assim funciona perfeitamente e é contagiante. Angus faz um solo curto, mas inspirado, e a base da canção é ótima.

É outra faixa que depois de lançada jamais deixou de estar presente nas apresentações da banda. Também conta com versões ao vivo em todos os lançamentos desta natureza feitos pelo AC/DC depois de 1980, assim como “Back In Black”.

“You Shook Me All Night Long” possui dois videoclipes diferentes. Um retirado da mesma leva de vídeos gravados na cidade de Breda e o outro quando a banda relançou a música no álbum Who Made Who, de 1986, trilha do filme “Maximum Overdrive”, de Stephen King. Neste vídeo, Brian Johnson anda por uma cidade na qual encontra uma bela garota.

Lançada como single, alcançou a 35ª posição na parada norte-americana e a 38ª posição na parada britânica. O canal VH1 elegeu a canção como a 10ª melhor dos anos oitenta.



É outra canção com diversas versões covers feitas por artistas de diferentes estilos musicais. Também muito encontrada em filmes, séries, comerciais e outras mídias.



HAVE A DRINK ON ME

Mais uma das grandes músicas do álbum, “Have A Drink On Me” é a oitava faixa de Back In Black. Outro riff inspirado é a base da faixa, contando com uma performance vocal de Brian Johnson em uma de suas melhores atuações no trabalho. Mais uma vez, o solo é empolgante. Seria uma canção de mais destaque na discografia da banda não tivesse presente em um álbum com tantos clássicos reunidos.



SHAKE A LEG

A nona faixa de Back In Black, “Shake A Leg”, é uma canção bem direta, com um riff dos mais rápidos do álbum e vocais bastante agressivos por parte de Johnson. O ritmo segue bastante intenso por toda sua duração. Uma ótima canção, especialmente no que tange à intensidade.



ROCK AND ROLL AIN’T NOISE POLLUTION

A faixa que encerra o álbum é uma ode ao Rock And Roll. Trata-se de uma canção com fortes influências de Blues, baseando-se em outro belo riff de guitarra construído pelos irmãos Young. A interpretação de Brian Johnson também é brilhante.

É uma faixa que entra e sai do set list da banda, mas algumas gravações ao vivo lançadas pelo grupo contém apresentações da canção.

Lançada como single, atingiu a 15ª posição da parada britânica dessa natureza.



Também possui um videoclipe oficial, também gravado em Breda como vários outros de canções deste álbum. A música possui versões por outros artistas, como a feita pela banda Six Feet Under.



Outras Considerações

Desde que foi lançado, Back In Black foi sucesso absoluto. Se o álbum anterior, o excelente Highway To Hell (1979) havia aberto as portas dos Estados Unidos para o AC/DC, foi com este trabalho que a banda entrou para o grupo das maiores estrelas do Rock.

A crítica recebeu o álbum de maneira muito positiva. Através dos anos, o reconhecimento a Back In Black foi crescendo, sendo o álbum presença garantida em qualquer lista de melhores álbuns de todos os tempos. Isso acontece em eleições da revista Rolling Stones e do canal VH1, apenas como exemplos.

Na parada de álbuns, Back In Black atingiu a 1ª posição no Reino Unido. Embora tenha alcançado “apenas” a 4ª posição na parada norte-americana, seu grande feito foi permanecer initerruptamente na mesma por 131 semanas!

Back In Black é o álbum de Rock com mais cópias vendidas na história do Rock, sendo o segundo álbum com maior vendagem na história da música (atrás apenas de Thriller, de Michael Jackson). Estima-se que tenha vendido cerca de 49 milhões de cópias em todo mundo. Mais que isso, há uma estimativa de que o álbum venda algo como 200 mil cópias por ano, somente nos Estados Unidos.

Formação:
Brian Johnson – Vocal
Angus Young – Guitarra Solo
Malcolm Young – Guitarra Base, Backing Vocals
Cliff Williams – Baixo, Backing Vocals
Phil Rudd – Bateria, Percussão

Faixas:
01. Hells Bells (A. Young/M. Young/B. Johnson) – 5:10
02. Shoot to Thrill (A. Young/M. Young/B. Johnson) – 5:17
03. What Do You Do for Money Honey (A. Young/M. Young/B. Johnson) – 3:33
04. Given the Dog a Bone (A. Young/M. Young/B. Johnson) – 3:30
05. Let Me Put My Love into You (A. Young/M. Young/B. Johnson) – 4:16
06. Back in Black (A. Young/M. Young/B. Johnson) – 4:14
07. You Shook Me All Night Long (A. Young/M. Young/B. Johnson) – 3:30
08. Have a Drink on Me (A. Young/M. Young/B. Johnson) – 3:57
09. Shake a Leg (A. Young/M. Young/B. Johnson) – 4:06
10. Rock and Roll Ain't Noise Pollution (A. Young/M. Young/B. Johnson) – 4:15

Letras:
Para o conteúdo das letras, recomendamos o acesso a: http://letras.terra.com.br/ac-dc/

Opinião do Blog:
Há que se louvar o fato de um dos maiores álbuns de todos os tempos ter sido criado e concebido logo após uma terrível tragédia que vitimou não apenas uma lenda, Bon Scott, mas um grande amigo de todos na banda.

Scott era um vocalista formidável, aliava seu jeito peculiar de cantar e interpretar as músicas com um carisma praticamente inigualável. Scott liderou o AC/DC durante poucos anos, mas é responsável direto pelo sucesso inicial do grupo. Além disso, ainda era o principal letrista do conjunto australiano. Todas as homenagens são poucas para ele.

O primeiro acerto da banda foi ter descoberto logo de cara o óbvio: Bon Scott era insubstituível. O AC/DC, ao meu ver, nunca substituiu Scott, apenas trouxe um novo vocalista para a banda.

Segundo ponto, Angus Young, embora já fizesse performances explosivas na ‘era Scott’, teve este papel ainda mais acentuado com a morte do antigo vocalista, com o AC/DC, inteligentemente, explorando seu carisma junto aos fãs, concentrando as atuações de Johnson ‘apenas’ com os vocais.

E neste ponto, Johnson conseguiu fazer um trabalho brilhante ao longo dos anos e, particularmente, em Back In Black. Sua atuação é fundamental para a interpretação de uma banda em luto e que compôs um álbum tão forte.

Johnson também foi fundamental ao compor as letras de Back In Black, fortes e na medida certa para uma homenagem ao lendário Scott. Logo em seu álbum de estreia no grupo, Brian ajudou a compor clássicos do Rock como “Back In Black”, “Hells Bells” e “You Shook Me All Night Long”.

Por fim, não há muito mais o que dizer do álbum de Rock mais vendido da história. As 49 milhões de cópias vendidas falam por si. Um álbum perfeito, e, se você ouvir e não gostar, melhor procurar um outro gênero musical, pois Rock não é sua praia. Um álbum para a história.

11 de setembro de 2011

JUDAS PRIEST - BRITISH STEEL (1980)



British Steel é o sexto álbum de estúdio da banda inglesa de Heavy Metal chamada Judas Priest. Seu lançamento oficial ocorreu no dia 14 de abril de 1980 e teve a produção de Tom Allon. O álbum foi gravado entre janeiro e fevereiro de 1980, no Startling Studios, em Ascot, na Inglaterra.

Em 1977, o Judas Priest gravou seu terceiro álbum de estúdio, Sin After Sin. O álbum trouxe algumas canções que ficaram bem conhecidas dos fãs, como “Starbreaker”, “Dissident Aggressor” e o cover de John Baez, “Diamonds & Rust”. Foi a primeira vez que um trabalho do grupo entrou nas paradas britânicas.

Nesta época, o baterista Alan Moore havia deixado a banda e o substituto Simon Phillips foi chamado apenas para gravar o álbum. Sin After Sin foi o primeiro trabalho da banda com a gravadora Columbia Records, após a polêmica saída do Judas Priest de sua antiga gravadora, a Gull Records, que culminou com o grupo perdendo os direitos sobre seus dois primeiros álbuns.

Sin After Sin teve produção do, na época, ex-baixista do Deep Purple, Roger Glover em parceria com o próprio Judas Priest. Para a turnê que se seguiu, foi contratado o baterista James Leslie Binks, ou Les Binks.

Impressionados com a performance de Binks durante a turnê, o grupo o convida para se tornar o baterista permanente do Judas Priest.

A formação: Hill, Halford, Downing, Tipton e Binks:



Assim a banda passa a contar com a seguinte formação: Rob Halford nos vocais, Glenn Tipton na guitarra, K. K. Downing na guitarra, Ian Hill no baixo e Les Binks na bateria.

Com esta formação, a banda compõe e grava seu quarto álbum de estúdio, que é lançado em fevereiro de 1978, Stained Class. O álbum trouxe composições creditadas pelos cinco membros da banda, sendo Les Binks creditado como um dos criadores do grande clássico "Beyond the Realms of Death".

Infelizmente, anos depois de seu lançamento, Stained Class recebeu atenção negativa quando dois jovens fizeram um pacto suicida e o realizaram em dezembro de 1985, após ouvirem a faixa “Better By You, Better Than Me”, presente no álbum. Um dos dois jovens conseguiu se matar, enquanto o outro não, mas ficando desfigurado.

A família do jovem sobrevivente entrou com uma ação contra o Judas Priest, alegando que a música possuía mensagens subliminares que incentivavam a prática do suicídio. Obviamente a banda foi inocentada de todas as acusações. Na realidade, o conteúdo da canção é sobre alguém desiludido com o status do mundo atual, abandona seu amor e se une a um esforço de guerra.

Stained Class foi o primeiro álbum do Judas Priest a conseguir entrar na parada norte-americana da Billboard, na 104ª posição.

Ainda em 1978, a banda lançaria seu quinto álbum de estúdio, Killing Machine, em outubro daquele ano. Nos Estados Unidos o disco saiu com o nome de Hell Bent For Leather. Também na versão norte-americana há uma faixa extra, "The Green Manalishi (With the Two-Pronged Crown)" um cover de Fleetwood Mac, que acabou se tornando um sucesso do grupo.

Killing Machine também conseguiu entrar na parada norte-americana, na 128ª posição, graças a ótimas faixas como “Hell Bent For Leather”, “Killing Machine” e “Delivering The Goods”, por exemplo. A gravadora mudou o nome do álbum nos Estados Unidos, alegando que o grupo não necessitava de “implicações homicidas” para a divulgação do trabalho.

Em Killing Machine, o Judas Priest apresentou canções consideravelmente mais curtas e com um maior apelo comercial, entretanto, a banda não abandonou sua pegada fortemente Heavy Metal e o conteúdo lírico sombrio.

A turnê que se seguiu ao lançamento do álbum foi um sucesso e contou com a gravação de apresentações em Tóquio, no Japão para o lançamento de um álbum ao vivo.

Em setembro de 1979 é lançado o ao vivo Unleashed In The East, que trouxe ainda mais sucesso para o grupo britânico. O álbum atingiu a 10ª posição da parada britânica e 70ª posição da parada norte-americana, tornando-se o disco de maior vendagem do Judas Priest até aquele momento.

Algumas críticas foram feitas a Unleashed In The East, as quais diziam que o álbum, lançado como um ‘ao vivo’, teria sofrido diversas melhorias com o grupo em estúdio. Anos mais tarde, quando se encontrava fora do grupo, Rob Halford afirmou que todas as gravações de instrumentos presentes no trabalho são de fato dos shows, mas seus vocais teriam ficado arruinados durante a gravação.

Desse modo, apenas os vocais teriam sido regravados em estúdio, mimetizando o ambiente de uma gravação ao vivo.

Ainda em 1979, Les Binks deixa o Judas Priest, dizendo-se decepcionado com o direcionamento musical adotado pela banda. Seu substituo veio a ser o baterista Dave Holland, que era da banda Trapeze.

Dave Holland:



No início de 1980, a banda se reúne para gravar e compor seu sexto álbum de estúdio, British Steel.

Embora sendo creditado como gravado no Startling Studios, na realidade, British Steel teve sua gravação realizada em Tittenhurst Park. Na verdade, Startling Studios era o estúdio de gravação localizado em uma casa, a Tittenhurst Park.

Tittenhurst Park era a casa em que John Lennon e Yoko Ono moraram no início da década de setenta e na qual John fundou o estúdio Ascot Sound Studios. Quando Lennon se mudou para os Estados Unidos definitivamente, o músico desejava vender a propriedade para alguém que fosse desfrutar os estúdios e ao mesmo tempo cuidar dos mesmos.

Lennon então vendeu Tittenhurst Park para um amigo, seu ex-companheiro de banda, o baterista Ringo Starr, que renomeou o estúdio para Startling Studios.

Quando o Judas Priest foi gravar British Steel, a banda achou a própria casa em Tittenhurst Park mais adequada para a gravação e moveu todo o equipamento de gravação para a mesma.

Como a técnica de Sampling não existia na época, muitos ‘efeitos especiais’ que constam no álbum foram feitos através da criatividade e improvisação da banda. Em “Breaking The Law” foram usadas garrafas de leite esmagadas, em “Metal Gods”, cabos de som arremessados ao solo, tacos de bilhar e até o faqueiro de Ringo Starr sendo batido foram utilizados para reproduzir a marcha dos “Metal Gods”.

A capa de British Steel apresenta uma lâmina, tipo de barbear, com o nome da banda e do álbum impressos na mesma, sendo segurada por uma mão. No Reino Unido, o álbum foi lançado com um desconto especial de 3,99 libras.

“Rapid Fire” abre o álbum. Com um ótimo e rápido riff, a faixa contagia, contando com um belo trabalho de Holland na bateria, que mantém o ritmo da música em alta velocidade. Contando com bons solos e vocais inspirados de Rob Halford. Excelente início de trabalho preparando o ouvinte para o que ainda está por vir.

Um excepcional riff abre a segunda faixa do álbum, o tremendo clássico da banda, “Metal Gods”. A canção apresenta um ritmo bem mais cadenciado que a música predecessora, mas conta com peso na medida exata. E solos inspirados, claro.

A letra fala de uma guerra entre humanos e máquinas que possuem inteligência artificial, as quais os próprios humanos teriam criado.

Presença quase obrigatória nos shows do Judas Priest, “Metal Gods” ainda deu o apelido pelo qual os fãs da banda chamam os membros.

A próxima faixa entrou para a história da banda e, talvez, seja seu maior clássico. “Breaking The Law” levou o Judas Priest ao patamar dos maiores nomes do Rock, sendo uma faixa que é conhecida tanto por fãs de Heavy Metal quanto por ouvintes ocasionais.

A faixa é simples, direta, curta e não possui solo de guitarra. Mesmo assim, na sua simplicidade, acabou conquistando muitos fãs. O riff é sensacional, especialmente na abertura da canção. O refrão é marcante e os vocais de Halford, perfeitos.

“Breaking The Law” foi lançada como single, atingindo a 12ª posição na parada britânica. Também aparece em duas eleições do canal VH1, na 40ª posição das melhores canções de Heavy Metal e a 12ª posição de melhores canções de Hard Rock.

O single "Breaking The Law":



Também há um videoclipe de “Breaking The Law”, clássico, que conta, entre outras cenas, com Rob Halford cantando em um Cadillac conversível.

Desnecessário dizer que é presença obrigatória nos shows da banda desde o lançamento do álbum, sendo que suas versões nos shows da banda são um pouco diferentes da versão de estúdio, ora com andamento mais rápido, ora com um pouco mais de peso, ou mesmo com a inclusão de solo de guitarra na canção. Um verdadeiro hino!

A quarta faixa do álbum é mais uma canção fantástica, “Grinder”. Talvez a faixa mais pesada do álbum, conta com um dos melhores riffs de guitarra da discografia da banda. O dueto de guitarras formado por Tipton e Downing torna a canção ainda mais contagiante. Uma verdadeira aula de Heavy Metal. Vocais precisos e um solo de guitarra sensacional dão ainda mais brilho a esta excepcional faixa!

Outro clássico da banda está presente na quinta faixa do álbum. Trata-se de “United”, que acabou se tornando uma das faixas preferidas dos fãs do Judas Priest, sendo seu refrão cantado em conjunto por Halford e os fãs nas apresentações do grupo.

As letras são verdadeiramente uma homenagem aos fãs da banda que estavam junto ao grupo desde o início do mesmo.

“United” é consideravelmente mais lenta que as canções que a precedem, tendo uma sonoridade bem mais próxima a um Hard Rock, ou mesmo, lembrando o estilo ‘Arena Rock’.

Lançada como single para promover o álbum British Steel, “United” atingiu a 26ª posição da parada britânica de singles.

A sexta faixa do álbum é mais um clássico do Judas Priest, “Living After Midnight”. A bateria inicial da faixa, por Holland, é excelente. O riff, bastante próximo a um Hard Rock, é simples, mais cadenciado, e ao mesmo tempo, empolgante. O solo de Tipton é ótimo.

A canção fala de noitadas e diversão e é bem descontraída. Halford chegou a afirmar que as letras foram inspiradas na época de gravação do álbum, em que ele só ‘funcionava’ no período noturno.

Também foi feito um videoclipe para a faixa, contando com Holland tocando uma bateria invisível em seu início e fãs realizando solos em guitarras de cartolina.

Lançada como single, atingiu a 12ª posição da parada britânica dessa natureza.

"You Don't Have to Be Old to Be Wise" é uma faixa que possui um ritmo mais cadenciado, baseada em um excelente e inspirado riff. Possui uma sonoridade bem clássica, de Heavy Metal clássico. O refrão é ótimo e o maior destaque da faixa é sem dúvida para a atuação vocal de Rob Halford, simplesmente espetacular.

A oitava faixa do álbum é “The Rage”. A canção começa quase com um clima que pode ser inspirado em um reggae, com uma linha de baixo bem concebida por Ian Hill. Mais uma vez os vocais de Rob Halford são um espetáculo. A música é bem mais cadenciada, mas conta com peso na medida certa. Mais uma boa canção.

Fecha o álbum a faixa “Steeler”. É uma canção bem rápida, direta e simples. Conta com um riff bem rápido e que traz um ritmo bastante veloz para a canção. Conta com bons solos e bons vocais, fechando o trabalho com chave de ouro. Não chega a ser um clássico, mas mesmo assim é outra ótima música.

British Steel foi um sucesso quase instantâneo, comercialmente, de crítica e junto aos fãs. Até hoje é o álbum da banda que mais vendeu em todo o mundo.

British Steel atingiu a 34ª posição da parada norte-americana de álbuns, a Billboard, ficando ainda melhor colocado na parada britânica, onde atingiu a 4ª posição.

Em 2009, a banda fez uma turnê pelos Estados Unidos em que tocava British Steel na íntegra e na ordem durante os shows. A banda também já tocou todas as músicas dos álbuns Rocka Rolla (1974) e Defenders Of The Faith (1984), mas nunca na ordem em que apareciam no LP original e nem na mesma turnê.

Talvez a melhor definição para o que representa British Steel tenha sido dito pelo guitarrista da banda norte-americana de Heavy Metal Anthrax, Scott Ian. Segundo ele, British Steel foi o álbum que definiu o Heavy Metal de maneira definitiva, pois afastou de uma vez por todas os últimos traços de blues presentes no gênero e, mais, definindo-o com suas características mais fundamentais.

Ian ainda completa que o nome do álbum, British Steel, seria perfeito. Em suas palavras: "Even the title... how does it get more metal than that?" Nada mais a se declarar.

Formação:
Rob Halford: Vocal
Glenn Tipton: Guitarra
K.K. Downing: Guitarra
Ian Hill: Baixo
Dave Holland: Bateria

Faixas:
01. Rapid Fire (Halford/Tipton/Downing) - 4:08
02. Metal Gods (Halford/Tipton/Downing) - 4:00
03. Breaking the Law (Halford/Tipton/Downing) - 2:35
04. Grinder (Halford/Tipton/Downing) - 3:58
05. United (Halford/Tipton/Downing) - 3:35
06. You Don't Have to Be Old to Be Wise (Halford/Tipton/Downing) - 5:04
07. Living After Midnight (Halford/Tipton/Downing) - 3:31
08. The Rage (Halford/Tipton/Downing) - 4:44
09. Steeler (Halford/Tipton/Downing) - 4:30

Letras:
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Opinião do Blog:
Quando se fala de Judas Priest, está se mencionando uma das melhores bandas de todos os tempos. O nome do grupo é praticamente sinônimo de Heavy Metal e os caras se orgulham bastante disso.

Mas o Priest não é ‘apenas’ isto. Embora seja uma banda que sempre baseou sua sonoridade no Heavy Metal clássico, o grupo nunca temeu experimentar e flertar com sonoridades diferentes e seus álbuns apresentam estilos diversificados entre si, quase sempre com resultados muito bons. Portanto, um dos pontos fortes do Judas Priest é sua criatividade.

British Steel representa a obra-prima da banda. É um álbum que apresenta cerca de seis clássicos da banda (as seis primeiras faixas do trabalho). E as outras três também seriam destaques se não estivessem em um disco tão acima da média!

Não há muito o que se falar sobre o álbum. Se você gosta de Heavy Metal, é um álbum obrigatório. Se não é, mesmo assim vale à pena conhecer um dos melhores discos de todos os tempos.

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9 de setembro de 2011

WHITESNAKE - WHITESNAKE (1987)



Whitesnake é o sétimo álbum de estúdio da banda inglesa de Hard Rock homônima, ou seja, o Whitesnake. O seu lançamento oficial ocorreu no dia 7 de abril de 1987 e teve a produção sob responsabilidade de Mike Stone, em um primeiro momento, e posteriormente com Keith Olsen. O álbum foi gravado entre setembro de 1985 e novembro de 1986.

Em janeiro de 1984, o Whitesnake havia acabado de lançar o álbum Slide It In apenas na Europa. Neste momento, a formação da banda contava com seu líder David Coverdale nos vocais, Mel Galley e Micky Moody como guitarristas, Colin Hodgkinson no baixo, Jon Lord nos teclados e Cozy Powell na bateria. Uma grande formação.

Simultaneamente, o Whitesnake havia conseguido um contrato com o selo Geffen, uma grande gravadora norte-americana. Seria ela a responsável por lançar e distribuir os álbuns do grupo apenas nos Estados Unidos.

Slide It In recebeu críticas bem variadas. A maioria dos comentários negativos ficariam por conta da qualidade da produção do álbum, especialmente a sua mixagem, tida como seca, sem brilho. Assim, o produtor David Geffen insistiu com Coverdale que para o lançamento de Slide It In nos Estados Unidos, o disco deveria sofrer uma nova mixagem.

Ao mesmo tempo, a banda estava fazendo uma turnê e sofria com as mudanças em sua formação, uma característica imutável do grupo. O guitarrista Moody e o baixista Hodgkinson deixam a banda, sendo substituídos pelo guitarrista John Sykes (Thin Lizzy) e pelo retorno do baixista Neil Murray ao Whitesnake.

Formação com Powell, Coverdale, Sykes e Murray



Coverdale finalmente aceita fazer a nova mixagem de Slide It In e Sykes e Murray regravam as partes da guitarra solo e do baixo, respectivamente.

Mesmo com a desconfiança de Coverdale quanto ao resultado da nova mixagem, Slide It In é lançado em abril de 1984 nos Estados Unidos. O álbum atinge a 40ª posição da parada norte-americana de discos, a Billboard.

Canções como “Slide It In”, “Slow An’ Easy” e “Love Ain’t No Stranger” tornam-se sucesso e alavancam as vendas do álbum nos Estados Unidos, ultrapassando a casa de 1 milhão de cópias vendidas. Assim, Geffen sugere a Coverdale começar a levar seu trabalho nos Estados Unidos mais a sério.

Durante a turnê em 1984, o guitarrista Mel Galley quebra seu braço, deixando o Whitesnake com uma formação contando com apenas uma guitarra, de John Sykes. Poucas semanas depois, mais uma baixa, com Jon Lord avisando que deixaria o Whitesnake para retornar ao Deep Purple que reativaria a formação MK II.

O tecladista Richard Bailey entra para o grupo para a continuação da turnê. Com o objetivo de reforçar o nome da banda nos Estados Unidos, várias datas são marcadas no país, com o grupo fazendo shows de abertura para a banda DIO e para o Quiet Riot. A turnê terminaria com a apresentação histórica da banda frente a um público de 100 mil pessoas em janeiro de 1985, no Rock In Rio original, no Brasil.

Mel Galley, embora inativo, continuava como membro da banda até declarar em entrevista que planejava reformar sua banda anterior, o Trapeze, e assim acabou demitido do Whitesnake.

Slide It In ainda apresentava o Whitesnake com uma sonoridade com influências de Blues, mas para o próximo álbum o grupo apresentaria um direcionamento mais voltado para o Hard Rock produzido nos anos oitenta.

No início das gravações do novo álbum, ainda em 1985, fica decidido que John Sykes gravaria tanto a guitarra base quanto os solos. O baterista Cozy Powell que vinha já se desentendendo com Coverdale desde a turnê, também deixa o grupo. Para seu lugar, é contratado Aynsley Dunbar, que tocou no Journey. Também foi contratado para a gravação do disco o tecladista Don Airey, que havia tocado com Ozzy Osbourne e no Rainbow.

Ainda em 1985, Coverdale e Sykes rumaram para o sul da França, na cidade de Le Rayol, em busca de comporem novo material para o álbum. Nestas sessões surgiriam dois grandes clássicos do álbum e da carreira do Whitesnake: “Still Of The Night” e “Is This Love”.

Coverdale, Sykes e Murray foram para Los Angeles para buscarem então o novo baterista, que, como foi dito, acabou sendo Aynsley Dunbar. Há uma lenda que cerca de 60 bateristas foram testados antes de Dunbar ser o escolhido.

Com Coverdale, Sykes, Murray e Dunbar, a banda foi para Vancouver no Canadá para começarem a gravar o álbum Whitesnake. Lá surgiu o primeiro dos problemas para sua gravação: Sykes não conseguia ficar satisfeito com os sons de sua guitarra de maneira alguma! O problema só ficou solucionado, algum tempo depois, quando Coverdale conseguiu a ajuda de seu amigo Bob Rock, que ficara famoso por ajudar no álbum do Bon Jovi, Slippery When Wet, de 1986.

O próximo problema seria ainda mais sério: Coverdale contraiu uma sinusite séria, que se tornou uma infecção e começou a atrasar toda a gravação do álbum. Ainda ficaria pior, pois o vocalista e líder da banda seria obrigado a sofrer uma cirurgia, tendo um longo prazo de seis meses para sua reabilitação. A doença foi tão séria que na época, acreditava-se que David não poderia mais cantar.

Depois da longa recuperação, Coverdale voltaria para continuarem o processo de gravação do álbum. Já em sua volta, a relação com o guitarrista John Sykes e com o produtor Mike Stone se deteriorou rapidamente e ambos deixam o processo de gravação.

Coverdale inicia a gravação dos vocais com Ron Nevison, mas logo depois começa a trabalhar com Keith Olsen, que foi quem acabou fazendo o processo final de produção e mixagem do álbum. Como dito anteriormente, foi nesta altura que Don Airey foi chamado para gravar os teclados do trabalho, assim como o tecladista Bill Cuomo auxiliou tocando em algumas passagens do disco.

O líder da banda convida o jovem guitarrista holandês Adrian Vandenberg para gravar o solo de guitarra em “Here I Go Again”, uma regravação da própria banda que acabou incluída no álbum. Neste período, Coverdale convida o jovem para entrar no Whitesnake.

A arte da capa é bem simples e foi desenvolvida por Hugh Syme, apresentando um brasão como símbolo da banda.

O álbum é aberto com um clássico da banda, “Crying In The Rain”.

Na realidade, a música é uma canção do Whitesnake que foi lançada no quinto álbum de estúdio da banda, Saints & Sinners, de 1982. Coverdale decidiu dar uma nova roupagem à canção, mostrando a nova sonoridade da banda.

Em comparação com a versão anterior, a canção já começa forte e mostrando um novo direcionamento musical, baseado no Hard Rock dos anos oitenta, principalmente feito nos Estados Unidos. A faixa tem um ritmo mais lento, mas com certo peso, calcada em um ótimo riff.

Segundo Coverdale, Sykes não gostava nenhum pouco da influência de blues na sonoridade da banda e fez a regravação abandonando totalmente o estilo bluesy que a versão original de “Crying In The Rain” possui.

Embora tenha sido lançada como single para promover o álbum Whitesnake, não obteve sucesso nas paradas de singles. Mesmo assim, permanece como uma das faixas preferidas dos fãs e está no set list da banda quase como presença permanente desde 1982, mas é tocada durante os shows, desde 1987, em sua versão presente no álbum de 1987.

Continuando com a nova sonoridade desenvolvida no trabalho, “Bad Boys” é a segunda faixa do álbum. Possui um riff bem rápido, simples e direto, ao mesmo tempo, muito bom. Coverdale casa sua voz perfeitamente com a canção, tornando a faixa bastante empolgante. Uma ótima canção do disco.

A terceira faixa do trabalho trouxe um novo clássico para o Whitesnake. Está se falando de “Still Of The Night”. A música apresenta outro grande e belo riff de guitarra e ótimo trabalho da bateria de Dunbar. Uma das grandes canções da discografia da banda.

A inspiração para a canção veio com o falecimento da mãe de Coverdale. Segundo ele, estava revirando seus pertences e encontrou uma fita cassete antiga e a ouviu. Era de seus tempos de Deep Purple e se tratava de uma canção em que ele e Ritchie Blackmore estavam trabalhando, mas que depois fora descartada.

Coverdale disse que o resultado final da canção é bastante diferente do que estava na fita cassete original, principalmente pelo fato de Sykes detestar blues e ter trazido a canção para uma sonoridade bem próxima do Hard Rock oitentista. Ela foi desenvolvida enquanto a dupla estava no sul da França.

“Still Of The Night” se tornou um grande sucesso e chegou a ser comparada com o clássico absoluto do Led Zeppelin, “Black Dog”, sendo sugerida como uma possível fonte de inspiração para Coverdale e Sykes comporem o clássico.

A canção foi lançada como single e atingiu a 16ª posição na parada britânica de singles. Nas paradas norte-americanas de singles, alcançou a 18ª posição e a 79ª posição, respectivamente, na Mainstream Rock e na Billboard Hot 100.

Também foi gravado um videoclipe para a canção, o qual foi muito repetido durante o ano de seu lançamento. Conta com a participação da então futura esposa de Coverdale, a bela Tawny Kitaen. A cantora finlandesa Tarja Turunen gravou uma versão para a canção.

Tawny Kitaen e Coverdale:



A quarta faixa do disco é outra regravação de uma canção antiga do Whitesnake, “Here I Go Again”, mas com uma nova roupagem.

Se a versão original contida no álbum Saints & Sinners, de 1982, já havia feito sucesso, esta nova virou um verdadeiro ‘hit’ na época. O solo foi gravado pelo jovem guitarrista Adrian Vandenberg, com John Sykes fazendo a guitarra base.

A música é outro clássico do Whitesnake, presente quase sempre nos shows da banda. Lançada como single, atingiu a 9ª posição da parada britânica deste tipo de lançamento. Nos Estados Unidos foi ainda melhor, 1ª posição da Billboard!

Eleição realizada pelo canal VH1 colocou “Here I Go Again” na 17ª posição das melhores músicas dos anos oitenta. O videoclipe também se tornou um clássico, pois tinha a atriz Tawny Kitaen aparecendo somente em uma lingerie branca.

Mais um sucesso é a quinta faixa do álbum, “Give Me All Your Love”. É mais uma faixa com a sonoridade bem mais pesada que os álbuns anteriores do Whitesnake, apostando no Hard Rock. É uma das melhores faixas do álbum. Ótimo solo.

Lançada como single, também foi muito bem. Alcançou a 18ª posição no Reino Unido, assim como ficou com a 22ª e a 48ª Mainstream Rock e da Billboard Hot 100, respectivamente, nos Estados Unidos.

O videoclipe, no entanto, não obteve o mesmo êxito dos outros que foram gravados para promover o álbum. Talvez por ser o único do álbum “Whitesnake” a não contar com a fundamental presença da atriz Tawny Kitaen.

A sexta faixa do álbum é outro clássico da banda, uma das músicas mais conhecidas de toda a discografia do grupo. Trata-se de “Is This Love”, uma balada romântica em que o Whitesnake esbanja feeling e sentimento.

A canção surgiu quando Coverdale e Sykes estavam no sul da França compondo para o álbum. Coverdale disse que a ideia para “Is This Love” surgiu quando um diretor da gravadora EMI o ligou para perguntar se ele tinha alguma contribuição para um próximo álbum da cantora pop Tina Turner.

“Is This Love” foi parte de duas eleições do canal VH1: 87ª posição na lista de melhores “Love Songs” e a 10ª na de “Power Ballads”.

Como single, mais sucesso: 9ª posição na parada britânica e 2ª posição na parada norte-americana. A canção ficou tão conhecida que chegou a fazer parte de trilha sonora de novela global no fim da década de oitenta.

Capa do single "Is This Love"



O videoclipe também foi exibido inúmeras vezes durante os anos que se seguiram ao lançamento do álbum e é mais um que contava com a bela Kitaen. As rádios foram outras que se cansaram de tocar “Is This Love”.

Com um ótimo riff, “Children Of The Night” é a sétima faixa de Whitesnake. Trata-se de uma canção que conta com ótima performance vocal de Coverdale, o ponto alto da canção. É uma música mais direta, o solo de Sykes também é bem inspirado.

“Straight for the Heart” é a oitava canção do trabalho. Segue a mesma linha da canção anterior, contando com outro riff muito bom e ótimos vocais de Coverdale. O refrão é contagiante.

Fecha o álbum “Don’t Turn Away”. É uma canção consideravelmente mais cadenciada, quase uma balada, mas com guitarras bem fortes e presentes. O solo é mais uma vez muito inspirado e Coverdale faz ótimos vocais. Boa faixa.

O álbum Whitesnake saiu na Europa com o nome de 1987 (contendo duas faixas extras, "Looking for Love" e "You're Gonna Break My Heart Again") e no Japão foi chamado “Serpens Albus”.

O disco foi um tremendo sucesso comercial, sendo, inclusive, o principal responsável por alavancar as vendas do álbum anterior do Whitesnake, Slide It In.

Uma curiosidade sobre o álbum Whitesnake é que nos videoclipes promocionais, nenhum dos músicos que gravaram o trabalho aparecem. Com exceção do vocalista Coverdale e o guitarrista convidado Adrian Vandenberg, que gravou apenas o solo de “Here I Go Again”, quem aparece nos clipes são o baixista Rudy Sarzo, o baterista Tommy Aldridge e o outro guitarrista Vivian Campbell, que formariam a banda para a turnê.

Embora seja um clássico, muito fãs mais antigos do Whitesnake acusaram a banda de realizar uma mudança na sonoridade em busca exclusivamente de sucesso comercial, traindo suas raízes mais ligadas ao Blues.

Coverdale respondeu às estas críticas dizendo que as principais referências que Sykes e ele buscaram para compor o álbum foi os álbuns do Led Zeppelin e o EP Jailhouse Rock, do Elvis Presley. Este, segundo Coverdale, foi a principal influência para a composição de “Still Of The Night”.

Formação:
David Coverdale – Vocal
John Sykes – Guitarra, Backing Vocals
Neil Murray – Baixo
Aynsley Dunbar – Bateria, Percussão

Faixas:
01. Crying in the Rain (Coverdale) - 5:37
02. Bad Boys (Coverdale/Sykes) - 4:09
03. Still of the Night (Coverdale/Sykes) - 6:38
04. Here I Go Again (Coverdale/B. Marsden) - 4:33
05. Give Me All Your Love (Coverdale/Sykes) - 3:30
06. Is This Love (Coverdale/Sykes) - 4:43
07. Children of the Night (Coverdale/Sykes) - 4:24
08. Straight for the Heart (Coverdale/Sykes) - 3:40
09. Don't Turn Away (Coverdale/Sykes) - 5:11

Letras:
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Opinião do Blog:
Tanto na época quanto nos dias atuais, muita gente torce o nariz para a mudança de sonoridade que o Whitesnake realizou a partir dos meados dos anos oitenta, mais precisamente no álbum analisado neste post, o homônimo Whitesnake.

Sem dúvidas, a fase em que o grupo tinha um som Hard Rock, mas com fortes influências de Blues, é sensacional. Álbuns como Trouble, Lovehunter e Come An' Get It, só como exemplos, são excelentes, repletos de ótimas canções.

Mas a verdade é que a banda estourou comercialmente no mundo e, mais particularmente, nos Estados Unidos, com a fase mais baseada na sonoridade oitentista. Para este blog, as duas fases são ótimas e contam com excelentes trabalhos. Whitesnake, Slip Of The Tongue e até mesmo o recente Forevermore são álbuns que contam com verdadeiros clássicos da banda.

O álbum Whitesnake possui algumas músicas essenciais para qualquer fã do melhor Hard Rock: “Still Of The Night”, “Bad Boys” e “Give Me All Your Love” são das melhores faixas do estilo na década de oitenta. Isso sem mencionar o ‘super hit’ “Is This Love”.

Álbum mais que recomendado pelo blog.

Vídeos Recomendados:

Still Of The Night


Here I Go Again, ao vivo


Give Me All Your Love


Is This Love


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